Wednesday, December 21, 2011

nada a dizer para as pessoas vazias




é sobre algo muito sério que eu queria falar.. algo tão íntimo mas ao mesmo tempo tão coletivo, é sobre a situação atual, sobre como as coisas andam acontecendo ultimamente.. coisas importantes, manifestações, compartilhamentos, crowfunding.. e o fim do mundo! digo, aquela maluca do cachorro, tudo bem que o que ela fez não é certo,
mas que repercussão foi essa?
falcatruas do governo, polícia espancando estudantes, fome, miséria..
por que essa geração Y, tão inteligente e conectada, não se preocupa com isso? por que a força jovem é apenas ON linne e não offline? pq pra sair na rua ninguém tem coragem? pq ninguém mais conversa cara a cara?

vejo o vídeo do Away Nilzer (comédia!) sobre 2012, ele começa defendendo a nação, mas no final fala que tem mesmo é que explodir esse pRaneta de merda! cheio de injustiças! - e concordo!


faço as minhas, as palavras de Blanchot:
"quando tudo for dito, o que resta a se dizer é o desastre"


e posso brincar que,
"quando nada for feito, o que restará é a alienação!"

Wednesday, June 22, 2011

check list do dia -quarta-feira22

acordar
procurar
arrumar
comer
cuspir
correr
chuva
pães de queijo
atraso
11:59:11
calor
sentar
desenhar
ouvir
conversar
tom zé
toots
belle and sebastian
caetano
anotado
ilustração
formigas
17:51
despedidas
18:00
bom fereado
caminhar
cigarro
stúdio fotografico
câmera
camarim
gerador
luzes
maquiagem
postura
lentes
click
arruma
clik
fotômetro
clik
arrumar
guardar
despedidas
casa
pizza
cigarro
vodka
sexo
filme
sono
dormir

Tuesday, June 21, 2011

fluindo no ar

Quero voltar a ser leve, fluir e me misturar no espaço como um grão de areia. Quero parar de sentir náuseas e correr pra lá e para cá. Quero apenas parar, parar de pensar, parar o tempo, parar a rotina. Ultimamente sinto que as doenças modernas vem me atingindo, e o stress e a angustia, são como flechas, que ferem minha consciência. Não sei explicar da onde elas vem, apenas sei que moram aqui dentro. Não é o trabalho, não são os estudos, nem meus pais e nem minhas contas que exigem tanto de mim. Sou eu quem cria prazos, metas, exigências e perfeição. Como no filme em que a maior inimiga da bailarina era ela mesma.
Sei tanto e as vezes sei tão pouco. Esse texto não é para ser aplaudido, nem comentado, apenas sussurrado no calor da noite como um desabafo. Você já se sentiu assim caro leitor? Espero não estar sozinha. E espero que tudo ocorra bem para mim e para você. E espero também, que o traço do lápis que seguro, corra tão forte e confiante como no momento em que escrevo, pois vivo de meus desenhos e não quero que se acanhem com o papel. Novamente o difícil momento de ilustrar um papel em branco...

Wednesday, June 15, 2011

O Tempo

Falta pouco para minha criação finalizar, já fiz o conceito e existem vários desenhos na minha cabeça que estão tão claros em minha mente que suplicam para serem expostos no papel.. Mas que papel?
Hoje o dia está tão claro que meus olhos ardem.
Atrás do meu computador moderno, roubo inspirações de um site famoso, faço ilustrações na tela que serão enviadas para a Índia. Para Índia! Penso em como o mundo está moderno.
Outro dia vi um curta/documentário que falava sobre uma antiga técnica de fabricação de vestuário, o crochê. E isso me fez pensar de como sinto saudades das técnicas antigas! Colocar a tinta gouache no godê, ouvir um concerto de Bach e pintar um desenho de nanquim. A estilista me fascinou com suas palavras, de como via e enxergava o mundo de cores e composições, esse mundo que também habito. Esse mundo cheio de oportunidades, das quais tento agarrar com muita vontade, mas são tantos projetos, que falta tempo para me dedicar a tudo. Como queria ser mais de uma! Uma de mim no trabalho, na faculdade, outra compositora, outra atriz..
Tenho muita sede, sede da arte e cultura que mal encontro nessa cidade, mas que é um papo para outro dia..
Queria uma filmadora 8mm para registrar tudo que vejo e acho raro, pois se a câmera fotografica não consegue captar todo sentimento que vejo e sinto numa cena, talvez o tempo real me ajude..
Recebi 2 contos pelo correio hoje, talvez isso tenha apertado meu start para escrever, como gosto do correio e do autor dos contos! Como palavras escritas a mãos são mais comoventes e profundas que estas que você lê..
Como um dia de sol alegra mais o dia de alguém como eu, e como quero ver o eclipse que irá ocorrer hoje as cinco da tarde..
Já queria estar com minha filmadora, deixar-la lá, bem exposta, mirando a Lua em seu encontro com a Terra, depois iria acelerar o filme e perceber como o tempo é tão relativo! e como ele é fascinante!

Monday, March 21, 2011

Costa Norte

Era a primeira noite do outono, ele estava na sua estréia para o ano de 2011, com 18 graus de ventos fortes e arrepiantes. Um casal passeava a pé por um deck, o rapaz segurando uma garrafa de vinho cabernet franc, e a rapariga seu maço de cigarros. Gostavam da sensação que aquele lugar transmitia. A lua cheia iluminando o mar, o cheiro de maresia, de plantas e natureza.
Na metade do passeio resolveram sentar e ouvir as ondas batendo nas rochas. Procuravam um lugar ermo, procuravam fugir da cidade agitada, dos gringos, das músicas da moda e de toda maluquice mundana. Ficaram ali parados por minutos, em silêncio, só observando.
Outras pessoas passavam por lá, quem sabe atrás da mesma paz, ou atrás de um lugar bom para se drogar, ou eram apenas turistas. Não sei. Haviam casais, solteiros, amigos e estranhos.
O casal gostava de reparar em quem passava, criar uma nova vida para aqueles personagens, criar histórias, personalidades. Contos horripilantes, contos de amor, contos de aventura e contos de ficção.

-Aquele homem tem cara de psicopata não acha? - disse a rapariga ao namorado – apontando para o terceiro homem que acompanhava um possível casal de gay.

-Sim, pode ser.. E aquele casal é bem estranho também não? A trilha do deck já está acabando, não tem mais nada para lá, onde será que eles estão indo?

-Acho que aquele homem que estava atrás, de roupa social, e um andar suspeito, é mesmo um assassino, e está levando aqueles dois outros caras para um lugar bem obscuro. E vai matar eles! - rindo da brincadeira, a menina acende seu cigarro, e um vento forte apaga a chama do isqueiro, e tira de sua boca vermelha o cigarro que cai entre a mata.

O rapaz ri e se levanta para buscar, o que era o último cigarro do maço, sendo assim algo sagrado, eles não poderiam desperdiçá-lo.

-Droga! -ele disse- Esse vento está foda, não consigo achar! Tive que pular aqui em baixo para nada.

-Entre na mata, tá vendo? Do lado daquela árvore? Acho que está ali.

-Tá, vou ver. Agora fica aí. Que vou aproveitar para dar uma mijada, não tome todo o vinho.

E a namorada obediente, se vira em direção ao mar, liga seu mp3 e coloca bang bang de Nancy Sinatra para ouvir. Fica imaginando como o possível assassino está dilacerando suas vítimas e toma mais um gole do vinho. Passam-se mais de cinco minutos e o rapaz ainda não voltou. Deve estar bolando uma brincadeira, ela pensou. Já se prevenindo de um possível susto.
Mais cinco minutos e nada dele aparecer. A menina se levanta, e grita “Felipeeee!” para a mata. Mas não recebe resposta alguma. “Pare com essa brincadeira!!” E novamente, o único som que saiu do meio das árvores, eram dos grilos e outros estralos.
Toma num gole só a garrafa de vinho, para dar coragem, pula para baixo do deck e vai procurar seu companheiro.
A noite parecia mais fria que antes, seu shorts jeans pouco a protegia do frio e das plantas afiadas do chão. O relevo era íngreme e na diagonal, um barranco mal projetado pela natureza. Achou o maldito cigarro, mas não viu um sequer resquício dos passos do rapaz. Subiu a ladeira com dificuldade, praticamente engatinhando com as mãos na terra, esfolando a palma nas pedras.
Quando chegou ao topo, olhou para os lados, para baixo, nada. De súbito uma força agarra a menina pela barriga e arrasta seu corpo pela mata. Não tinha nenhuma pessoa, nenhum animal perto dela, apenas essa força invisível. Ela começa a chorar, não entendo nada, não era a bebida, não era nada, além do inexplicável. Seu corpo é levado por alguns metros, e a solta. Ela levanta a blusa para ver sua barriga que doía muito, e tinha marcas perfeitas de mão e dedos.
De pé, corre em direção a trilha do deck, resvala e caí rolando pelo morro. Abrindo os olhos vê um homem em sua frente, com sapatos lustrados e paletó azul de veludo. Ela o reconhece como o “assassino misterioso”, e ele ajuda a moça a levantar, passando uma estranha calma e paz.
Ele pede para ela o acompanhar e voltaram para cima do deck. Foram até o final do trajeto, onde havia uma imensa luz branca e clara, caminham mais uns metros, entrando no mar e nesta luz. Até o momento em que as lâmpadas do deck vão se apagando, gradativamente, e uma grande escuridão invade a costa, paralisando o mar, o tempo, o vento e a vida.

Thursday, November 04, 2010

desenho nas horas vagas do estágio


Tuesday, April 20, 2010

A Curiosidade Matou o Gato

Era mais um dia qualquer na vida de Anita. Havia desligado a televisão e foi para a varanda de sua casa fumar um cigarro, como sempre fazia antes de dormir. Sua casa era no ponto mais alto da cidade, tendo então uma vista privilegiada, da qual se podia observar muitas casas, bares e quase tudo que acontecia em seu bairro.
Nunca acendia a luz da varanda, pois gostava de ver os pontinhos laranja, lá longe, dos postes. Via a rua, as luzes através das janelas das casas que gradativamente iam se apagando com o passar das horas. Todos deviam dormir cedo para acordar cedo, mas Anita não. Ficava lá, às vezes até horas, olhando a noite e pensando na vida.
Mas hoje sentia que seria diferente, pois havia brigado com o namorado um pouco antes e estava nervosa, fingindo estar tudo bem, mas com os nervos a flor da pele. Pensou em ligar para alguém, mas desistiu.
Era verão de noite fria, com muitos ventos. A rosa dos ventos que estava presa ao teto não parava de vibrar e balançar, batendo uma nas outras, fazendo barulhos cada vez mais altos.
Aquilo a incomodava, tanto vento e aquele som ensurdecedor, queria tirar aquela maldita rosa dos ventos, mas não tinha tanto empenho.
Queria apenas ficar na dela, no silencio de seus pensamentos. Esperava quem sabe uma ligação do namorado, mas achava tal fato quase impossível.
Um vento mais forte sopra dessa vez, fazendo despencar o varal de roupas a baixo. O chão quase treme, um “bam” tão pesado que assusta e arrepia Anita, que acende um novo cigarro, dessa vez quase tremendo.
Ela senta numa alta mureta e se encosta na viga que sustenta o telhado, de lá olha o cruzamento de ruas logo a baixo. De repente vê algo muito estranho.
Três caras estavam conversando em frente a uma das casas de esquina quando um deles vai em direção a parte central do cruzamento e se abaixa, parecendo se ajoelhar. Outro cara que permanece em frente à casa estica um dos braços em direção ao homem que está ao centro.
Anita fica com medo, não entendendo muito bem o que estava acontecendo lá, ou o que iria acontecer. Ao mesmo tempo se sentia segura, pois estava em casa, e como não havia acendido a luz supôs que ninguém lá de baixo do morro fosse pensar que havia alguém em cima observando. Ela era apenas uma espectadora anônima.
Anita força o olho para tentar enxergar melhor e vê que o cara que estendeu o braço, segura algo nas mãos. Será uma arma? O terceiro cara que até então permanecia estático, caminha ao centro do cruzamento e conversa com o ajoelhado. Este parece implorar, mas implorar pelo que? Pela vida?
Impossível matarem o cara no meio da rua, Anita pensou, seria muito difícil com tantas casas ao redor.
A cena se parece à mesma durante uns cinco minutos, como uma foto. O primeiro cara com a arma apontada ao ajoelhado e o segundo de pé, dialogando com a possível vitima.
Um estouro alto e forte faz a menina quase cair de seu assento, mas não era um tiro, era um rojão, desses que explodem no céu.
A cada minuto tudo a deixava com mais vontade de entender e ver o que acontecia. Como se nós homens tivéssemos essa necessidade de sentir adrenalina vendo situações horríveis como mortes e sofrimentos de outras pessoas. Divertindo-nos com histórias e filmes de terror. Mas ali era a vida real, ela via homens reais num acerto de contas, pagando as dividas com Deus e com o Diabo.
Agora ouvia-se gritos indecifráveis, que logo foi abafado com um chute no estomago. O cara que chutava parecia feliz, chutou novamente, mas o homem que segurava a arma fez sinal que parasse.
Um novo rojão explode no céu. Teria algo haver com tráfico de drogas? Anita sabia que por lá os rojões eram usados para avisar quando os traficantes tinham drogas para vender, ou para sinalizar quando a policia estava chegando. Eram dois tipos diferentes de avisos, e ela não sabia reconhecer qual era para qual.
A menina sentia vontade de ajudar, mas a vontade de não perder nenhum detalhe era maior que ir até o telefone ligar para a polícia, esperar ser atendida, descrever a situação e o endereço.
O vento diminuía, ouvia-se apenas a respiração, o bater acelerado do coração, os grilos no mato e bem ao longe uma discussão.
O braço esticado se contrai, os nervos e veias ficam salientes, a testa do homem sua, ele meche o dedo e puxa o gatilho.
O ajoelhado não se encontra mais de joelhos, caí para trás, deitando-se sobre o chão de pedras pontiagudas.
Nesse momento Anita toma-se de susto e sem poder segurar, grita o mais alto possível que alguém poderia gritar, ecoando sobre morro. Começa a tremer e sente náusea. Nunca vira algo assim na vida, uma morte à sua frente! Nunca imaginaria que veria tal coisa, nunca.
É claro que os dois capangas ouviram o grito da moça, conseguiram perceber que vinha de cima, mas não exatamente de que lugar.
Ela fica atônita, não sabe o que fazer então simplesmente continua a tremer. Morava com seu irmão que acordou com o berro e foi em direção a varanda ver se ela estava lá. Como a noite era escura, acendeu a luz para poder procurar sua irmã. Anita corre e a apaga dizendo que não podem descobrir onde ela mora.
Seu irmão fica preocupado, não entendendo nada do acontecido, “quem não pode descobrir o que?”, ele acende novamente a lâmpada para ver melhor o rosto de Anita, mas ela descontroladamente empurra-o para o sentido contrario do interruptor e apaga novamente a luz.
-Você está maluco?! Quer morrer? Acabaram de matar um homem, juro, agora mesmo, olha lá! – e aponta.
Quando o irmão olha para o cruzamento não tem ninguém, nem o tal corpo no centro do mesmo. Anita se sente confusa, eles estavam ali há poucos segundos, como poderiam sumir com o corpo assim tão rapidamente? Será que viram o apagar e acender de luz e resolverão dar o fora o mais rápido possível dali?
Os irmãos entram em casa, na cozinha o rapaz prepara um chá de camomila para a irmã.
Um silêncio enorme enche a casa toda, logo é quebrado pelo apito da chaleira, quando o fogo é desligado e o apito se cala, ouvem-se duas batidas na porta. Anita quase começa a chorar de aflição. Pensando, “São eles!”.
Vai em direção da porta se esforçando para não fazer nenhum ruído, fica na ponta dos pés e através do olho mágico vê a sombra de dois homens.

Friday, February 06, 2009

Utopias de Abertura

Nuvens cinzas, perdidas na imensidão do céu azul

do branco forte que faz cegar meus olhos escuros e não sensíveis.

Peço a vós que fechem-se, para que minha alma se entoe ao seu cinza

e unam-se numa cor só, e que assim eu posa gozar no céu celeste todo

o esplendor de uma visão alta e superior.

Os pássaros não notarão minha presença e continuarão a voar

e brincar em plena paz, na estrada que é só deles e de ninguém mais.

Verei de cima as tristezas e alegrias do homem, sem julgá-los.

Anotando assim, somente as coisas boas,

das quais minha geração precisa e teme logo se extinguir.

Farei das frases versos e destes um hino.

Logo, haverá amores, ternuras e paz para se lembrar e passar a diante.

Este hino será a marcha para o fim da desigualdade entre classes, credos e cor.

Os jovens falarão do amor como já se foi falado décadas atrás, porém não

Abandonarão a ideologia se uma falsa ordem em seu país, se estabelecer.

A mensagem estará nos ouvidos de seus filhos, e nos filhos destes.

E eu, mesmo após de morta, estarei nos corações vermelhos dos socialistas,

Romancistas e de outros que perceberem que a razão da vida não está

Muito além de amar ao próximo.

Friday, May 23, 2008

Rodas da Vida

Que mulata mais quente!

Veja os olhos de nossa gente

Parece até dia de enchente

Saem de suas casas com jeito descrente


Essa mulata é da vida

Uma podre de uma vadia

Tão pobre, ainda sorria

Buscando uma vida de harmonia


Ela quer mudar seu destino

Canto para ela e não desafino,

A mulata tem coragem, tem ritmo.


Mas o grande preconceito ganha assento

Não mais escrava, se perde num momento

Na casa de Deus não encontrou seu convento

Morreu sozinha, em busca do isolamento.

Tuesday, April 22, 2008

Loucuras de um Vazio

Encontrei-me num silêncio, ele me visitava.

Era um antigo amigo que decifrava meus sonhos.

Eu gostava de suas carícias geladas,

cada vez que pegava em minha mão sentia que congelávamos.

Assim o tempo também se esfriava, tornara-se preguiçoso,

parava de trabalhar ou trabalhava devagar.

Falávamos do Iluminismo, ele então ficou mudo

"O silêncio não deve se manifestar"; disse após longa pausa

-"O silêncio grita comigo certas vezes,

emite sons horripilantes ou canta. É mágico!"; falei sem pensar.

"A maioria não gosta de minha nostalgia" (pausa)

-"A maioria não te entende!!" (terminei num silêncio)