Friday, February 06, 2009

Utopias de Abertura

Nuvens cinzas, perdidas na imensidão do céu azul

do branco forte que faz cegar meus olhos escuros e não sensíveis.

Peço a vós que fechem-se, para que minha alma se entoe ao seu cinza

e unam-se numa cor só, e que assim eu posa gozar no céu celeste todo

o esplendor de uma visão alta e superior.

Os pássaros não notarão minha presença e continuarão a voar

e brincar em plena paz, na estrada que é só deles e de ninguém mais.

Verei de cima as tristezas e alegrias do homem, sem julgá-los.

Anotando assim, somente as coisas boas,

das quais minha geração precisa e teme logo se extinguir.

Farei das frases versos e destes um hino.

Logo, haverá amores, ternuras e paz para se lembrar e passar a diante.

Este hino será a marcha para o fim da desigualdade entre classes, credos e cor.

Os jovens falarão do amor como já se foi falado décadas atrás, porém não

Abandonarão a ideologia se uma falsa ordem em seu país, se estabelecer.

A mensagem estará nos ouvidos de seus filhos, e nos filhos destes.

E eu, mesmo após de morta, estarei nos corações vermelhos dos socialistas,

Romancistas e de outros que perceberem que a razão da vida não está

Muito além de amar ao próximo.

Friday, May 23, 2008

Rodas da Vida

Que mulata mais quente!

Veja os olhos de nossa gente

Parece até dia de enchente

Saem de suas casas com jeito descrente


Essa mulata é da vida

Uma podre de uma vadia

Tão pobre, ainda sorria

Buscando uma vida de harmonia


Ela quer mudar seu destino

Canto para ela e não desafino,

A mulata tem coragem, tem ritmo.


Mas o grande preconceito ganha assento

Não mais escrava, se perde num momento

Na casa de Deus não encontrou seu convento

Morreu sozinha, em busca do isolamento.

Tuesday, April 22, 2008

Loucuras de um Vazio

Encontrei-me num silêncio, ele me visitava.

Era um antigo amigo que decifrava meus sonhos.

Eu gostava de suas carícias geladas,

cada vez que pegava em minha mão sentia que congelávamos.

Assim o tempo também se esfriava, tornara-se preguiçoso,

parava de trabalhar ou trabalhava devagar.

Falávamos do Iluminismo, ele então ficou mudo

"O silêncio não deve se manifestar"; disse após longa pausa

-"O silêncio grita comigo certas vezes,

emite sons horripilantes ou canta. É mágico!"; falei sem pensar.

"A maioria não gosta de minha nostalgia" (pausa)

-"A maioria não te entende!!" (terminei num silêncio)

Monday, February 11, 2008

O Menino e o Vento

Meu garoto foi correndo
quem o desafiara era o vento.
Eu de pé vibrava torcendo,
para que ganhasse o julgamento

Com os pássaros sorria a sua gentil maneira,
Assim eu disse: "Corra e vem me buscar!"
O vento então se encheu de areia,
ofuscando os olhos de meu doce que se pôs a chorar

Fiquei em minha masmorra aos prantos,
esperando qualquer movimento.
Agora muito a frente estava o vento,
quando parou a corrida gerando espantos!

O Nobre Vento percebeu o nosso amor,
não mais faria a separação das duas almas
Do dia nublado resplendeu o fulgor
e o Sol em paz brilhava nas marés calmas..

Thursday, January 03, 2008

Relógio de Bolso


Esperando sentado, sois obediente.
Permanecendo autista, sois paciente.
Mas se dessas virtudes sois estranho?
Não querendo delas desfrutar?
Grito então, sozinho, à beira de um abismo,
grito até minhas cordas alcançarem infinitas notas
e assim perderem partes de suas veias, se dissipando.
Não escuto eco, não escuto a voz que sai de minhas entranhas,
me percebo morto e vazio,
tão solitário como um corvo
e tão sujo como um abutre.

Esse lugar, essa areia e esse luar
são tão desconhecidos, como você e sua alma.
De longe escuto um tic tac,
ponteiros de um relógio deficiente que me incomoda.
Sinto-lhe em meu ventre, tic tac
o enjôo e a tontura se despertam, tic tac
o calor é insuportável e minha pressão baixa
pede por minutos de sonhos, tic tac
não quero dormir,
não quero alimentar as fantasias tão subversivas
e incompreensíveis que vejo de olhos fechados.
Um gato preto cruza minha frente, 7 anos de azar,
minhas costas ardem, ardem como nunca vi antes!
E das dores nasce um milagre! Asas!
Asas meu irmão, Asas nas costas que minha mãe tanto cuidou.
Asas brancas, feito anjo. Talhadas pela esperança!
Como há de serem talhados meus frutos.
Quero que seja belo, belo como nunca fui..
na gratidão que seja humilde,
no desespero que tenha coragem!
Que meu pequeno ame todas as sinfonias assim como eu as amo.
Com minhas próprias mãos construirei uma ponte,
essa nos levará ao mais sublime e fictício mundo da felicidade,
não sei seu paradeiro, nem sua existência..
mas o farei, para mim e quem mais quiser!

Linda dança, lindo par!


Ele sabia, sabia como uma águia velha ou como um cachorro resmungão. Mesmo com toda sua astúcia misturada à jovialidade de pouca percepção.
Ele sabia a quem minhas palavras se destinavam,
eu o usava como fonte de inspiração sem me preocupar,
era disso que ele gostava, gostava do meu jeito diabólico de ser...

O amei por ser ele como ele é, roupas, poesias e seu charme boêmio. Aos poucos vou conhecendo esse meu querido amigo,
na certeza que era sempre nessa situação que o quis
um amigo que me abraça e me dá beijos sinceros...
Que ao me dizer verdades me deu um tapa na cara ao mesmo tempo que abriu os olhos..

Te digo que minha essência permanece em escrever, então não ligue pobre leitor, se de uma simples conversa eu tiro e faço sem piedade, um drama, um romance como Os Irmãos Karamazov de Dostoievski, até 700 páginas!!! Se não fossem quatro horas da manhã e não tivesse que acordar cedo para mais um dia de trabalho, mais um dia da labuta que me distrai e me coagula..

Eu escreveria as desventuras que tenho a todo momento, a todo vapor, nessa roda vida!

Ó tempo, quem és tu???

Tuesday, December 04, 2007

a la alfredo

Te passo aquela dor de barriga, a insegurança dos mortais,
o assombro dos filmes de terror, da guerra, do lixo..
Logo não nos acostumamos a viver assim.
Vou me embora para Pasárgada, ou um planeta qualquer,
aquele onde farei as manobras aeronáuticas
mais rápidas como Fernão, voarei na velocidade do pensamento
e escutarei o silêncio ao meu redor como algo novo e vil.
Quando perguntarem de mim, podem responder sem medo:
"Está num mundo só seu, onde ninguém colocou os pés.. O céu lá é verde, existe corações derretidos e quadros surrealistas. Nossa imagem dentro de molduras é defasada e difusa como de quem morre e é esquecido, mas não será atrevimento algum que o farão entrar, amigos!"

Grotesco! - pensei.
Um viva ao fim! - gritei.

Monday, December 03, 2007

retratos do indefinido

Eu acordei com pressa, acordei pronta como quem já acorda vestido.
corri sem pensar, sem olhar para trás e dizer um adeus..
fui podre e carniceiro nas escolhas, quem não é um dia?
te olhava com pena sem entender, viajei mil léguas e não encontrei o que procurava,
mas quando percebi, achei minha réplica.
Deitados na grama não entendiamos o que estava acontecendo naquele momento,
me vi curiosa a cerca de ti, querendo esquentar seu olhar frio e tirar toda tristeza..
Logo o espelho estava em minha frente, eu e minha réplica, ambos com olhares vazios,
ambos calados e misteriosos, escondendo verdades e sentimentos..
Rindo e sorrindo como loucos, como confortados em meio a algo parecido com a paixão.
Dissemos lindas palavras, e me pergunto até que ponto foi sincero?
Quem sabe a mentira te conforta por segundos, mas quem sabe eu seja uma vã sabichona
e tudo que eu escrevo não tenha nexo com o que se passa com minha réplica.
Em todo caso eu gosto do carinho que ela me passa, dos beijos, dos pedidos..
Eu queria mais, só que para tê-la são tantas as armadilhas que teria de enfrentar,
eu queria me acalmar, dormir por meses, conseguir ler como antes.
Como conseguem? Como conseguem viver sem melodramas!

Friday, November 02, 2007

IDIOFATURA

Não me digo comunista, meu caro
Mas cheiramos a petróleo sanguinolento,
Tento te tirar de seu cubo e isso é raro
A fumaça saí e o ritmo não é lento.

Olhe com simplicidade,
Perceba como anda a mocidade,
Como decai nossa cidade,
Do que importa a pouca idade?

Teu movimento fugiu da ideologia
Nossos jovens repetem a cena de “Tempos Modernos”
Nada parece ainda ter magia
E ele só se preocupa em adquirir novos ternos.

Que individualismo é esse amor?
O tempo passa e a gente cresce
Não carece de tanto rancor..

Saturday, October 13, 2007

Não Sei Ao Certo!

O que você sabe? E o que eu sei?
Em matéria de amor?
Em matéria de vida?
Tento me exprimir por que?
Digo, te escrevo com tanto carinho, torcendo para que entendas,
mas que motivo leva a preocupação?
Eu quero que me ousa, mas tantos homens antes de mim
fizeram seus truques de mágicas, mobilizaram pessoas
e nenhuma delas os escutou.. Assim eu volto,
por que me preocupo com que me ousa?
Melhor cair na vida, ir ao mercado como um dia qualquer,
comprar farinha, ervas para o chá e algumas bolachas...
Agora, comprar para que? Um furto aqui outro ali,
"Que diferença faz?!" - a jovem pergunta - "vamos todos morrer"
Os problemas são dádivas um Messias disse, mas eu respondo
que sou humilde e quero vida simples.
O vento sopra não como um assobio, nem sinfonia,
é como um lamurio seco nessa cidade suja.
A gente aprende quando nos lembramos de algo que já sabíamos.
Creio que ninguem aprendeu a preservar o ambiente, só ouviram falar.
Conhecimento é o que aplicamos.
Você aplica o que? Quais suas metas? E o que você quer?
Minha mão suja reflete toda dor que tenho.
Quanto sujo você é? E quando se acostumou?
A vida se baseia em perguntas, já tentou faze-las a sí própio?
A gente se surpreende com nossas respostas!
Mas e quando elas não vem? (ela ecoa em minha mente)
E quando a resposta não vem? (...)
Para aonde você vai? O que quer encontrar?
E quem você quer conhecer?
É o último trago, e para aonde eu vou?
Minha fé é a imaginação, fecho os olhos e imagino coisas boas
as procuro como um mendigo atrás de sua comida,
tento vê-las junto a mim, de mão dadas, ao meu lado..
mas meu Ser involuntariamente cria fogo e minha imagem morre..
minha imagem morre e eu percebo que tudo não passa de uma ilusão,
a casa, a cadeira, o bar, o quadro, a tinta, a nuvem e minha mente.

Monday, September 10, 2007

Momento Interplanetário


Aquele frio terrestre invadia meu quarto,
o único som dentro da limitada caixa onde me encontrava
era de minha caneta e de meu pesado pulso a se arrastar pelo papel.
Através da janela aberta em pequenos centímetros,
eu via a noite nebulosa que escondia em seu manto celeste
a purpurina que ousava brilhar.
Eu procurava um planeta vermelho e um espanador gigante.
De olhos fechados ansiava em sentir ondas quânticas passando
pelo meu corpo, não quisera eu a lambda e sim o início.
Nessa hora estrondosas ondas sonoras matam minha aura sensitiva.
A noite gradativamente mais fria e solitária,
inerte, desconhecida, difusa e surrealista..
Naquela inquietação não vi meu planeta, nem o pequeno príncipe.
As pálpebras se cansavam como velhas,
O dever chamava como um apito,
A cama me esperava como uma esposa,
O tempo corria como um perito,
A cidade dormia sob feitiço,
O guarda apitava como um mudo,
A lua sorria como criança,
O sol já se preparava para brilhar no ocidente... E eu cá, meio lá
pensando em meu planeta e no quão distante deveria ele estar...