Friday, April 27, 2007

as suas e as minhas realidades - final


Depois de horas a dançar, John percebeu que estava demasiadamente tarde e deveria regressar a sua residência. Ao se despedir de Anna, a pequena o fez esperar por mais 5 minutos, sumindo por entre as barracas. Ao voltar, trouxe uma escultura em gesso, que moldava duas mãos dadas, bem distintas, uma pequena, aparentemente de criança, e outra larga com várias rugas.

-O que ela representa? –perguntou John curiosamente.

-Sempre pensei que a arte não deveria ser explicada, se minha obra não significa nada para ti, sinto que errei. –e uma leve tristeza passou pelos seus olhos- Eu estava a guardando, para alguém que achasse especial, pensei que eras tu!

-Levarei sua escultura comigo, e pensarei! Sinto-me lisonjeado. Mas agora tenho de ir, obrigada pela noite. Prometo voltar mais tarde!

Um beijo na testa selou a despedida, e John voltou a fria rua. Recusou todos os táxis, estava decidido em caminhar e pensar sobre a noite que passara. Ao se ver na praça do centro da cidade, avistou um velho homem deitado sobre um dos bancos de madeira, no lado desse, havia uma placa dizendo: “Querido povo, sou deficiente visual, estarei grato com qualquer forma de ajuda!”.

Não encontrando dinheiro algum entre seus bolsos, John sentiu-se o mais inútil e desprezível homem. Se via infeliz em não puder ajudar e ter de aceitar situações como essas em uma sociedade que se dizia tão democrática e humanitária. Nisso, em pequenos grunhidos, o céu começou a chorar, de gota em gota, e o cinza predominava. Se aproximou do velho que se despertara do sono com o barulho e falou:

-Senhor, aceite esta escultura, que é tão rica em detalhes! Quando estiveres triste, junte suas mãos a essas e veras que não estará sozinho, que persistira a esperança de outras mãos amigas para te ajudar. Como procurarei fazer em outra oportunidade. Tome velho e cuide bem dela, esconda da chuva! Preciso correr, adeus!

-Obrigado rapaz, foi certamente o melhor agrado que recebi! Que Deus te ilumine, obrigado novamente!

Desviando de cada poça, John chegou em casa, cansado da maratona que percorrera, acendeu seu charuto e deitou-se sobre o sofá ainda com suas vestes molhadas. Refletira em tantas coisas que aprendera, algo tão inédito, que em apenas uma noite, uma, viu o que era a simplicidade, o amor verdadeiro, o belo que John tanto ansiara descobrir. Algo que nunca lhe foi proporcionado nas fraternidades da elite. Via-se mais feliz que nunca!

Tirou o dia para descansar, afinal chegara 8 horas em casa. Mas até final do dia permaneceu deitado, ainda com cansaço e febre. O mesmo permaneceu por mais 6 dias, só que dia após dia, os sintomas iam adquirindo mais força. Não viu mais Anna, e nem pode ajudar mais o velho da praça. Impotente, no sétimo dia, não resistiu a pneumonia, e com o fechar dos olhos, todos seus outros sentidos se desligaram. A morte invadiu o quarto de John, e nenhuma sinfonia alertou seu fim.

Wednesday, April 18, 2007

as suas e as minhas realidades - primeira parte


John estava no patamar, tremulo sobre o mármore, contemplando de longe toda a beleza de uma tal rapariga, que ria como criança dos singelos encômios a ela dirigidos. Através de seus olhos podia notar toda melancolia, seus lábios até podiam mentir, mas seus olhos, esses não. Pamella aparentava 17 primaveras, como uma distinta burguesa, bela e graciosa. Nunca fora casada mas os pedidos para sua mão eram inúmeros, gostava de manter seus amantes, seus flertes e jamais pensara em ter seu coração invadido por alheios, pois tão pouco cômoda essa situação seria.

Era mais uma das famosas festas da família Dratonn, muitas bebidas, comentários sobre arte, escritores famosos e outros nem tanto, deputados, cientistas, ricos e aqueles bajuladores de sempre. A massa infectada pela epidemia contemporânea, onde a insatisfação é excelsa. Todo aquele desfrute sobre os subterfúgios intelectuais, estrofes ensaiadas, faziam no estomago de John, voltas e reviravoltas. Não que ele se achasse um desconhecedor ao lado desses, mas apenas não era um falso e não via necessidade em demonstrar suas faculdades em ocasiões de festa. Pois em dias de romararia, pensava ele, o fútil do inútil preponderava, o riso era mais importante que pseudo-discussões.

A única saída era se entregar aos vícios, degustar cada baforada, e absorver cada ml do elixir. Encontrava-se cansado daquela leviana contaminação, queria explorar o belo não precisando se incumbir em mostrá-lo, mas ao mesmo tempo percebia a necessidade de uma companhia, e de preferência feminina. O velho relógio de corda alertava as horas, eram 02:00 quando a fria madrugada começava a se exaltar. De súbito, enquanto John lia uma obra anônima, a biblioteca do anfitrião T Dratonn se enchia de vida e perfume. Quem acabara de entrar era Pamella, que a essas horas se descobria em completa obediência.

-O que estais a ler meu querido?

-Uns rascunhos, mas desconheço sua origem, deixe-me recitar:

“De belas palavras se fez a poesia

De ritmados acordes inaugurou-se a música

De todo sentimento nasceu a arte

e de todo carinho cresce o amor..”

-Oras, o amor... és apenas uma utopia criada por pessoas como vós.

-Minha donzela, creio que julgas mal á reputação dos escritores, se os legados na historia de “nossa criação” não fossem tão exorbitantes, até supostamente acreditaria em vossas palavras.

-O certo é não se deixar depender, como faço! Como Casanova tanto adorava. Ter vários amores...

-Nem sempre é assim!

-John, nossas noites foram ótimas não foram? Nos divertimos tanto, se existisse o amor no meio, teria estragado tudo.

-Não vejo o porque. Tu foste minha linda Babilônia, onde mal pude me aventurar, eu como estrangeiro nato, só fiquei com cinzas da cidade fantasma.

-Não me faças rir John – ria abanando o leque sucessivamente – Sabes que minha afeição por ti é imensa!

-Então, me digas a razão com que paraste de me procurar? – juntando assim o corpo da pequena ao seu – Me dói tanto te ver sorrir a meio outros braços.

-Oras, pensava que gostava de voyeurismo! – e sua expressão não mentia toda malicia e satisfação que o momento de sarcasmo a proporcionara.

-Não sei o motivo pelo qual continuo perdendo o meu tempo! – largando-a e se direcionando à porta – Tu nunca mudas!

-A depressão bipolar não me atrai, e confesso viver muito bem assim!

Os efeitos de tais palavras se fizeram como feridas. John saiu da biblioteca sem despedidas, passou pela cozinha, surrupiou um vinho e fez da escura rua, sua meta. Andando ouviu a sinfonia de Bach, típico violão clássico. Seguiu correndo, saciado pela fome de acordes, até que parou... quem tocava Bourre, era um grupo de ciganos. O medo naquele momento não era plausível, então não se conteve ao ficar sentado admirando toda a técnica, mas algo o impressionou ainda mais. Uma bela mestiça que rodopiava junto aos seus lenços e miçangas, deixando seu longo e cacheado cabelo vermelho acompanhar o ritmo.

Quando a música parou, John nota a aproximação de três nômades:

-O que faz aqui? –pergunta um deles, de porte físico musculoso e rígido.

-Apenas estava passando pelos arredores e me encantei pela música, poderia ficar aqui de longe, ouvindo? –responde o flagelado John, magro e alto como tal.

-Diz aí Mileto, hoje é dia de festa, não queremos encrenca, aquela briga anterior já foste cansativa. –diz o segundo de expressões submissas.

-Tudo bem Alexandre, deixamos o rapaz ficar! E Julian, pegue esse vinho para festejarmos - E assim o terceiro, rouba pela segunda vez a garrafa, e junta-se aos outros em volta da fogueira.

Aos poucos John vai se aproximando, perplexo com a nova realidade! Cabanas, carnes ao fogo, pés descalços sobre o barro, algo fora de todos os padrões que havia presenciado até então.

-O que tu vês de tão magnífico senhor? –interrompe-o a mulher dos lenços.

-Pude notar que o mundo da segurança anda num paralelo bem distante do mundo da inteligência.

-Esses mundos, seus e de Platão, não vês? Não percebes que é único? Varia com o jeito de como tu observas e desejas que seja.

-Qual seria o seu pequena?

-No caso, apenas o mundo das sensações.

-Confesso que ando meio descrente sobre esse “sentir”.

-Dê-me sua mão, veremos o que a quiromancia pode nos dizer!

-Creio que veras nuvens de incertezas.

-Tu não és nem um pouco quixotesco! – ri num silencio abafado – Sua linha da vida é reta, demonstra rigidez no modo de viver. Ela nasce cortando o monte de Marte inferior, o que explica sua baixa auto-estima, mas um traço a corta, parece que viverás mudanças!

-Como podes saber tanto de minha vida, e ainda não sei nem vosso nome?

-Me chame de Anna.

-E tu de John.

-Diga-me John, tu danças?!

Thursday, April 12, 2007

sandálias e cores


Minha princesa Isabel, esconda sua boneca de pedra
esconde que o Careta vem te roubar à noite, enquanto dormes
Enquanto sonhas com teu amado e se vê distraída
coisa que o Careta sempre faz, e na manhã seguinte vende

Essa é a noite dos mascarados e eles não vão poder te proteger
o cavalo branco fugiu, e o bumba meu boi tirou férias

Vá princesa Isabel foge do Piauí, vá com as velhas sambistas
se junte a elas na roda atrás de esmolas para fazer o doce
pulando pelas ruas, com o suor de seu corpo
quem sabe São Cosmo e São Damião te escutem

Vá minha linda, e não perca esse sorriso do rosto
e não olhes para trás, seu sangue negro é de tanta coragem
só cuidado com a dança de São Gonçalo, oia meu deus!
cuidado com os pés, é lá que as prostitutas se curam..

Homens brancos, mulheres e meninos e negros,
com violas, pandeiros e adufes, com vivas e revivas
Foi para onde Isabel foi, mas no meio de tanta folia
de tanto riso, ela some.. como divina, como uma santa
por entre as ondas do mar, por entre a luz do luar..

Sunday, April 08, 2007

no samba do amor


querida, vem comigo
o baile já está começando
a pista vai se enchendo aos poucos
os músicos vão se preparando
as saias das pequenas estão girando

querida, vem comigo
vem que hoje tudo vai rolar
deixamos o ritmo entrar
no nosso corpo até delirar

querida, você diz que minha poesia é desfalcada
que minhas rimas são clichês, mas pequena
saiba que são puras, são de todo meu amor
e do que mais nós precisamos?

eu poderia fazer uma serenata
mas falta umas cordas no meu violão
então sobe na minha vespa e vamos sair desse sertão!

todos dançam, o tropicalismo voltou..

sob minha cabeça, as luzes
sob os meus pés, os seus
desculpa, desaprendi o verso

e você me vem com esse sorriso maroto
que me prende, que me faz suspirar
como é bom te amar!

querida, vê como todos parecem felizes
os cigarros e as bebidas se fazem tão inofensivas
contigo ao meu lado, com esses olhos brilhando
pareço uma criança em dia de festa

e que continue assim..
que o baile nunca termine

Thursday, April 05, 2007

O fútil do inútil



Então era isso, a sociedade vive vigiada

em suas ações e em suas emoções

nunca mais foste amada

girando apenas em torno de difusões e lamentações


Observando a tudo e a todos

limitando-se ao padrão

sua meta é generalizada em toldos

algo em que nunca vi razão


Quem se lembra da ética?

tão suja e forjada

esquecida pela hipocrisia da estética

maleável e inconstante como a arquibancada


Mas agora silencio, que a novela já vai começar...

Friday, March 02, 2007

estrofes da experiência


Como podes minha bela criança

Sair tão depressa dessa dança?

Antes brincava alegremente pelos pastos

e ninguém via medo através desses passos


Hoje minha pequena anda escondida

Com medo do sol, e da chuva desprendida

No verão anda só de sombrinha à se proteger

em dia de chuva tanto a temer!

Não sai de casa e se deixa entristecer.


Ela chora falando que a culpa é de Deus!

Mas que Deus seria capaz de mudar sua natureza?

Seu querido pai, seu querido vô, fazem parte da realeza

A verdade usa máscara, e minha pequena que paga.


Como eu queria poder mudar o mundo para meu doce

Fazer tudo lindo como outrora já foste,

Mas por enquanto canto minhas lindas canções

e para ela é voltada todas as inspirações.

Thursday, February 15, 2007

Brincadeira de Movimentos - Professor Rogério Bozza - Lala Schneider - 14/02


Movimentos – ROTEIRO (Lidando com a Improvisação III)

Cena I, primeiro ato.

Marisa acabara de sair de casa e se via atrasada para seus passeios matinais, que se baseava em alongamentos, corridas e paqueras. Com a mão direita, alongou seu pescoço. Lembrou-se de que estava sem maquiagem, e passou uma singela camada de batom em seus lindos lábios, o que a tornaram com mais vida, e mais bela ainda.

Segundo ato.

Ao longo do percurso, de longe Marisa via Felipe, que alongava seus braços para trás, depois para cima. Distraía com a estonteante visão que para ela era proporcionada, deixou cair acidentalmente seu aparelho de som. Nesse momento se abaixa, com a mão esquerda, e pés esquerdos sobre o ar, ela segura o delicado toca fitas e se levanta. Ajeita o sutiã, estrala os dedos e pensa: “ vou logo falar com ele, vou conseguir.. hoje vou “.

Cena II, primeiro ato.

Mas sem perceber um menininho de no máximo 9 primaveras, ao vê-la se arrumar, brincava e ria sem parar, a imitando mas de modo mais provocativo, lambendo os dedos e depois os passara entre os mamilos, e depois fazia caretas com seqüência de bicos.

O clima do parque era delicioso, quem sabe pelo fato do tardio acesso a globalização e tecnologia, nessa que era uma cidade do nordeste brasileiro. Fazia muito sol nesse dia, várias pessoas nadavam no rio, enquanto outras faziam caminhadas e exercícios nas trilhas. O som de braçadas para frente, a água batendo, risos e passos contagiavam o local. Um grupo de crianças fazia coreografias com chutes com a perna direita, para lá e para cá. Outros alongavam a perna esquerda para trás, em um ritmo tal qual deixavam seus telespectadores pasmos com o tamanho da graça e jeito. Uma professorinha do colégio rival, até fizera uma banana como ofensa, mas ninguém ligou.

Segundo ato.

Felipe se alongava para a direita, e para esquerda, em passo ritmado. Marisa tentara chamar a atenção, rodopiando junto com uma pequena bailarina. Ao lado outras bailarinas dançavam se jogando para frente, com os braços para cima, e pulando. Mas não foi preciso tanto... Nessa tentativa atrás do vírus de empatia, para se saber o que se passava pela mente o “gato”, a namorada do mesmo chega, o beija e saem de mãos dadas. Pobre Marisa, tanto para nada.



Aluna: Vanessa P Bornemann e Corrêa
(brincando apenas, brincando.. não deu muito certa a junção dos mov.)

Saturday, January 06, 2007

Diálogo, parte I ( Felipe e Otavio)


- Felipe, que bom que veio! Não sabes como estava angustiado á procura de um amigo, minha vida anda tão maçante, pareço-me com uma criatura depravada e degenerada, como um objeto. Já dizia Sartre em sua filosofia existencialista, como se minha liberdade e minha existência não servissem para nada a não ser para aumentar meu medo, para ser fonte inesgotável de um terror intenso que logo será acalmado com a minha morte... - dizia lamentavelmente as palavras como breves sussurros pálidos de aflição – minha morte... parece estar próxima sabe?

Com uma falsa expressão de espanto, Felipe, se preparava para o longo discurso que presumia o amigo começar. Acendeu um charuto que se encontrava na mesa em meio a tantos outros, e se ajeitou em uma acomodável poltrona de cetim. Não que ele tratasse Otavio com indiferença, mas aquela não era a primeira vez que o amigo se confessara sobre a morte. Estavam a tomar café na biblioteca da mansão de Otavio. Era sem duvida um lugar fabuloso! Infinitas coleções de livros, com o melhor que poderia se encontrar de toda literatura, química, física, filosofia e historia. Sobre a escrivaninha estava aberta a obra do alemão Oswald Spengler, “Hora da Decisão” que condena a democracia, o pacifismo, o internacionalismo, as classes inferiores e povos de cor. Otavio era um tradicional burguês, herdeiro de muitas terras que nunca dera muito valor ao trabalho, e que se divertia lendo esse estilo de filosofia social e política do século XX. Achava de uma protuberância particularmente intrigante e irônica o modo como gozava com a agregação de seus gostos e regalos visando os alheios. Ele com sua despoetizacão da arte burlesca futurista unida ao dadaísmo, contra a massa e seu realismo deveras confortante. Fingindo-se interessado se pôs a perguntar:

- Mas meu querido, tu me pareces alguém tão realizado! Tens dinheiro, uma bela família, e as infinitas bocas das tantas raparigas que te desejam... as que tu quiseres! Seu sucesso é invejado por muitos. O que mais queres? – mas o que passava pela sua cabeça não era a pena pela tristeza do amigo e sim uma frase de Montesquieu: “Qualquer pessoa que tenha o poder, tende a abusar dele”.

- Numerar minhas qualidades meu caro, sinto que não irá adiantar de nada . Sinto-me um satírico! Sabes o que é ter tudo isso que falaste e não ser realmente feliz? Uma verdadeira hipocrisia tu pensarias. Mas acho que todo esse meu estudo voltado a humanas, arte e sociologia minhas preferidas, poderia servir para alguma ajuda a humanidade, e se não fazer nada, irei sofrer conseqüências em um futuro não muito distante. Vou te contar mais detalhes, só não me chame de lunático! Odeio essa mania, que vocês psicólogos tem de analisar e rotular todos, até os amigos e ...

-Otavio! Estou aqui para te ajudar como um irmão, não como um psicólogo, mas se não quiseres minha ajuda e continuar com esse pensamento ignorante e baixo sobre minha profissão, sinto te informar que irei embora! – que Felipe estava tenso era verdade. Cultivava seu trabalho com tanta obsessão que qualquer crítica sobre, era interpretada com muito desgosto. Outra que seu “amigo” não se censurava por tais comentários indesejáveis e repetidos em tantas voluntariamente, sentia-se tristemente ofendido.

-Tudo bem, não vamos começar uma discussão, não agora. Continuando... a menos de uma semana, após realizar umas das minhas tarefas cotidianas – olhando para seus cachimbos e se divertindo com a madeira entalhada, ao falar, citava as palavras com calma se relembrando de cada momento que iria descrever, com força e vontade, deu uma pausa e continuou – A quem quero enganar? Tu sabes, depois que voltei de um dos nossos mensais encontros da Maçonaria, estava a refletir sobre os valores ensinados, o que nossa fraternidade tanto preserva.. as virtudes do homem! Cheguei em casa, todos estavam a dormir. Minha pequena Sofia, minha linda criancinha cochilava agarrada em uma bela boneca de porcelana, fiquei comovido com a cena que eu raramente presenciava, sempre envolvido com outros negócios, não me tornei um homem muito voltado à família, mas me pus a pensar sobre o destino de minha querida, nesse mundo o qual Sofia terá de enfrentar! Tantos homens grotescos e aproveitadores ela conhecerá! Homens como eu acidentalmente acabei me tornando, sem escrúpulos, vingador, irônico e principalmente; capitalista.

-Mas Otavio, veja em que realidade vivemos, esses socialistas.. e esses miseráveis comunistas onde estão? Nosso poder econômico, tecnologia, saúde, educação, está entre uma das melhores! Tal ponto que uma sociedade socialista demoraria muitos anos a chegar. Claro que a educação em Cuba é boazinha, mas as condições daquele país, chega a me dar náuseas. Maldito, Karl Marx, com suas idéias revolucionarias de transformação e mudança, lutas de classes e tudo mais. O socialismo é muito, muito bonito, mas não passa de uma utopia. Então não queiras se julgar, estas no melhor caminho que um homem hoje pode se encontrar.

-Sei que esse meu pensamento devasto é contra toda minha cultura, todo meu crescimento e desenvolvimento. Meus pais sempre me ensinaram a viver nas normas cujas raízes estariam nas contradições internas do feudalismo medieval. Proletariado servindo a nós, á burguesia. Mas ando percebendo injustiças por entre esse meio de riquezas e bens.

-Não me faças rir! Tu nunca botaste o pé em suas lavouras, nunca se interessaste pelo trabalho. Sempre dava seus discursos sobre “ Labore est orare* O trabalho não passa de uma droga, distrai simplesmente o espírito, faz com que o homem esqueça de ti mesmo. O trabalho lhes da a ilusão confortadora de que eles existem e até que são importantes. O evangelho do trabalho, não passa do evangelho da estupidez e da covardia“

-Ah – e soltou uma leve risadinha desanimadora – Creio que não me faço entender. Entendas que algo em mim mudou, agora em meus 38 anos, confesso te que sou outro.

-E confesso, que pretendo te internar! – rindo euforicamente Felipe pode perceber pela expressão de Otavio, que não foi um bom comentário, mas não se parou, gozando de sua vingança, se pôs a rir mais. – Pobre Otavio, andas bebendo demais!

-Maldita poligamia, até tu meu amigo, agora ri de mim. E se eu te contar que essas minhas idéias brotaram a partir do dia que conheci uma rapariga idealista?! Toda sua paixão pela corrida atrás de um mundo melhor, transparece tanto que ao olha-la fez crescer algo desconhecido em meu coração. Algo em que beleza alguma poderia meche, toda a convicção, determinação e intelecto de minha pequena Manuela me fez sentir mais vivo, e todas minhas impotências de atitudes se esvaem.

-Essas mulheres... – disse Felipe, fazendo um gesto de desaprovação com a cabeça - O amor já acabou com a vida de muitos! Cuidado por onde andas, não fique a se iludir com beijos, olhares e abraços. São todas umas sanguessugas, querem toda atenção, dinheiro.. e logo começam a mandar em sua vida, em sua roupa e até mesmo em seu cabelo.

-Não penso como tu! Vejo nas mulheres uma bela fonte interrupta de inspiração, graça e beleza. São essenciais, por mais que digas tais blasfêmias sobre elas Felipe, duvido que consigas viver sem. A não ser claro – se privou rindo mas não conseguiu segurar – se tu fores homossexual! Como os gregos.. “a mulher é considerada impura”. Ah és tudo conversa!

-Então, não vamos rotular as mulheres.. e sim o amor... O amor é destrutível!

Friday, December 29, 2006

na madrugada vitrola rolando um blues

Eram 4horas da manhã e tocava BB King, os sonâmbulos da noite vagavam atrás de liberdade, enquanto sentado em um confortável banco de estofado verde musgo, que se dava em frente a uma coleção estonteante de bebidas, licores, whiskys, eu os observava. Fiquei ali até as 6horas, minha tônica já não tinha mais gás e deixava assim a vodka mais ardente que de costume. Pensava nas teorias ensinadas na faculdade e de que para nada as usei. Ao caminhar via o nascer do sol, naquela manhã, o céu estava parecido com o inferno (se é que ele existe, mas se existisse seria como tal). Inteiro vermelho, com horizontes roxos e laranja pelo seu meio, ainda com as luzes dos postes dava um ar magnífico! Sentia-me o dono da rua, a essas horas é difícil encontrar se quer um vulto, mas prefiro assim, prefiro andar calmamente longe dos olhares curiosos. Não passou se quer meia hora, e aquele azul anil tinha tomado todo o céu, e os horizontes agora eram levemente lilás e branco, sem nuvens, nem estrelas, apenas a minha querida lua, e o fraco e distante sol, com uma trilha sonora de pássaros ao fundo. Meus frágeis olhos ardiam ao ver o esplendor da manhã, ainda gostaria de estar ao lado de minha amante, da noite. É mais intenso de como, na noite, os fatos e as palavras fluem involuntariamente, de como as mulheres se ajeitam e fazem uma doce expressão de bonecas inseguras, mas escondem-se perversas e maliciosas. De como os homens, se não saem para a caça, se não saem para contar piadas e histórias entre amigos, como se tornam desprezíveis ao lado de um solitário copo de vodka com tônica, principalmente quando chega ao desespero de escutar BB King e outro blues. Sim, isso parece totalmente normal até a parte em que começamos a contar nossas desgraças ao coitado do barman que nada tem a ver. Acho que ao fazer um curso de barman, eles devem estudar bastante sociologia e filosofia, pois se conselho algum dão, que facilidade ele tem de nos entender! Enfim, uma salva de palmas aos queridos barman`s do mundo inteiro!!!

(Nota: Apenas brincando caro leitor! Acordei ás 5horas, descrevi mesmo o que vi esta manhã, passou rápido já são 7hrs. Irei caminhar, Até!)

Wednesday, December 27, 2006

With Hollow Piteous Shriek



As largas e transparentes gotas de um elemento notório e particular, escoriam pela superfície áspera da face com dias não aparada, onde acabavam em um cachecol sujo que pousava levemente sobre um fino e delicado pescoço. Sentia-se humilhado pela vida, e sua aparência física não mentia o contrario, vivia com as cinzas de cigarro espalhadas por entre suas vestes que cheiravam sempre aquele leve odor boêmio de vinho. De fato, achava-se imprestável, sem feito algum, nada de boas ações, nenhuma intelectualidade, ou um rosto bonito.Não conhecia Sócrates, nem o realismo de Aristóteles muito menos o idealismo de Platão, quem diria Karl Marx ou Nietzsche. Não sabia desenhar como Da Vinci, não pintava como Michelangelo, mal conhecia os princípios básicos entre cor, luz e textura. Não herdou um sobrenome famoso. Não casou com uma rainha. Vivia atrás de uma máscara criada por si próprio, com seus diversos pseudônimos restava apenas o anonimato. Perdido o controle, sentindo-se agonizado com a decadente tentativa de ser melhor, se deixou a esperar, esperando, esperando apenas para que algum dia as coisas se ajeitassem, para que achasse sua vocação, para que usufruísse todo o bem que viria logo em seguida, como um presente divino de seu suposto deus. Pois afinal de contas, Edward vivia dentro da lei, mesmo não acreditando nela e achando um tanto quanto desnecessárias em certas estrofes. Mas certamente um bom samaritano!

Trabalhava como jornalista em um noticiário falido, era redator, repórter e Diretor-responsável dos anúncios fúnebres. Desempenhava bem seu papel, ou pelo menos nunca ninguém reclamou sobre... Além de escrever, foi atribuída a Edward a tarefa de executar ilustrações de tumbas e monumentos. Com o tempo, quem sabe por acomodação, gerou um fascínio pela arte gótica. Seus esboços o faziam relaxar, as tardes de folga ia sempre aos cemitérios em busca de inspiração e novos estilos. Não tinha muita sorte com as raparigas, seu perfil não estava entre os dez mais votados, mas tentava. Por causa do seu baixo padrão suas roupas eram simples, mas com uma bela combinação. Nos dias de festas passava sua extravagante colônia francesa conservada de anos, e voltava como um trapo sujo, pois se deixava lamentar ao lado de seu álcool querido e acabava sozinho sem conquista alguma.

Vendo a tristeza contagiante de Edward, Celina a querida redatora-chefe, o convidou amigavelmente para assistir uma famosa peça de teatro, “Sonho de uma noite de Verão” de William Shakespeare. Ele agradeceu e aceitou o convite da companheira de trabalho. Na noite marcada, se encontraram em frente ao imenso teatro, que parecia mais um palácio, cheio de cor, belas pessoas, e música clássica. A esperança de que aquele encontro viesse a ser romântico se esvaio assim que Edward pode ver a linda Celina sair do carro acompanhada com Rafael, o detestável escrivão do fórum que se encontrava a menos de uma quadra do jornal. A idéia de ter que enfrentar as longas horas servindo como incomodo para o casal foi repugnante para ele, mas mesmo assim, já que estava ali, ali permaneceria até o fim.

As cortinas se abriram, e o espetáculo começou. Quando os atores entraram em cena, Edward pode sentir suas mãos suarem e seu coração a bater mais forte em excitação. Logo no segundo Ato, quando Helena se declara por Demétrio que a tratava com indiferença, Edward desejou ser aquele rapaz de sorte, por quem a linda moça se referia com tanta paixão recitando:

“Vossa virtude é a minha segurança. Quando o rosto vos vê, deixa a noite de ser noite; por isso, não presumo que seja noite agora. Nem me faltam mundos de companhia nestes bosques, por serdes para mim o mundo todo. Como, pois, se dirá que eu estou sozinha, se o mundo todo agora me contempla? “
(Ato II, cena I )

Nunca até aquele momento ouviu uma confissão de amor, e pelo entusiasmo da atriz, sentiu como se fosse para ele aquelas palavras, roubando-as para si em um gesto melancólico. Havia então nesse momento se apaixonado! Começou a ir mais vezes ao teatro ver novamente e novamente a composição dramática. Quando a peça terminou, criou coragem e correu atrás da pequena “Helena”, em cólera atrás de sua musa a procurando por todos os camarins. Como uma criança mimada empurrando todos a sua frente, a achou. Confessando seus quiméricos sentimentos, apenas fez crescer uma decepção da jovem por Edward. Ele não teria entendido a diferença entre o real e teatral, a suposta Helena, era na verdade a delicada Jasmim de aparência não tão extravagante sem toda aquela roupa e maquiagem que podia se observar no palco. Era mais feliz que seu personagem, atualmente não sofria por homem algum, era forte! E disse com todas as letras, que não queria nunca mais tornar a ver Edward com toda aquela aparência suja e gestos repugnantes de um ignorante nato.

Passou então a ler as grandes obras dos escritores elisabetanos, e aprofundado em sua mágoa e solidão começou a descrever seus sentimentos. O que foi deveras útil em seu trabalho! Ao citar sobre a morte, seus textos eram longos e belos, retratando com muita devoção a tristeza sentida pelos parentes, comparada ao ermo e ao lamurio. Foi então contratado por outro jornal, mas agora apenas para escrever poemas, e foi muito requisitado pois seus leitores se sentiam de certa forma com suas histórias roubadas. Edward detalhava com perfeição, como se expressasse o que todos sentiam e não conseguissem transmitir. E quem diria, nosso pobre Edward teve um final feliz!



Dedicado a minha querida amiga Michelle.

Saturday, December 23, 2006

We Chased Our Pleasures Here.


E foi assim que em um dia qualquer, a pura jovem se entrega a vida noturna deixando aberta às portas para a percepção, deixando aberta às portas para o mal, mas desfrutando desse mal, possuindo esse mal, agonizando e extraindo todo esse mal para um bem próprio, para a auto-satisfação. Não seria puro egoísmo, apenas o cansaço! Estava cansada dos freqüentes cochilos à tarde, das poesias repetitivas à noite, da face inchada que acostumara a se deparar pelas manhãs, daquela maldita cidade fantasma! Ela buscava algo novo, algo que nem sabia o que era realmente. Quem sabe a utópica sensação de estar livre das regras impostas, da alienação, da ignorância, de subalternos, uma pequena volta aos tempos de celibato, da promiscuidade, com uma pitada de álcool correndo pelo corpo, nos deixando flutuar pela beleza da nova realidade psíquica. Estava atrás de algo, talvez alguém, um notório boêmio e poeta libertino, um amante aventureiro, queria uma vida recheada de poesia satírica, creio.

Largando tudo para trás, ajustou seu espartilho deixando que sua cintura ficasse fina e seus peitos salientassem, pegou seu melhor vestido, e ao deslizar aquela seda por seu corpo se sentiu tão bela com aquele bordo intenso de detalhes pretos, dando vida a sua pele branca o que passava a sensação de invencibilidade (uma verdadeira particularidade em ênfase misturada com seu singelo egocentrismo)! Com cuidado modelou seus cachos negros para que caíssem perfeitamente pelo seu pescoço, e como uma famosa atriz passou delicadamente sua maquiagem habitual para festas. Estava pronta, linda como nunca! Para tentar acalmar os nervos antes de sair de sua confortável residência, a jovem decide ler um trecho de seu livro Thaïs (de Anatole France), mas toda aquela tensão emocional e pulsões várias que registra no seio de uma sociedade decadente demonstrada pelo autor, o período do fim da perseguição ao cristianismo em que se narra a história fez crescer um repúdio instantâneo para a leitora, tendo ela seus motivos pausou a leitura, e chamou um táxi dirigindo-se ao cabaré pelas escuras ruas da perigosa Whitechapel.(ver From Hell)

Chegando lá as primeiras palavras da donzela foram: “Mr James, I want a cigarette and absinthe, please!“. Começou bem eu diria, uma bela combinação, mas, no entanto, quando a noite vai desenrolando, os velhos burgueses estupefatos com seus charutos começam a ficar benevolentes ao extremo, apreciavam em demasia raparigas submissas. Ao caminhar pelo local, por onde olhava se deparava com poses obscenas, e conversas não tão agradáveis para pessoas que não eram acostumadas. Com a bebida os pensamentos fluem com facilidade, emoções ocultas sob o manto de preocupações diárias vêm à tona. Pensou coisas e quase se arrependeu da tentativa atrás do novo,estava quase indo embora, quando um elegante rapaz esbarrou-se nela deixando cair entre os seios da jovem todo o copo de absinto. Ela não deu muita importância ao ocorrido pois já estava meio bêbada, achou realmente muito refrescante o banho, o lugar estava quente, cheirava a sexo, e tudo aquilo lhe dava ansiã. O rapaz a convidou para se dirigir a uma sala reservada que pudesse se secar e ficar mais a vontade longe daquelas pessoas infames.

Ao entrar sentiu o cheiro de incenso, e percebeu que em uma pequena vitrola Vivaldi seu violinista virtuoso, seu preferido, tocava. Que grande diferença! Pensou. Deitou-se sozinha em um recamier de couro, deixando o anfitrião com um ar sarcástico e ao mesmo tempo desinibido. A expressão da rapariga era um tanto quando atenuante, mas algo nela o interessava e com a troca de olhares a mensagem era entendida como recíproca. Começaram em uma tímida conversa sobre música, de Mozart e Beethoven á Chopin e Ravel, logo após literatura de Willian Blake, Edgar Allan Poe e do recente Franz Kafka entre outros. Após doses de ópio no perfeito cachimbo, minutos se passaram e quando notaram, um já estava entre os braços do outro, cegos como um beijo, naquele doce incontrolável anseio pelo prazer em que a droga e a bebida só faziam aumentar. O rapaz se sentiu a vitima daquela bela donzela que o atraia com tanta exatidão de uma forma tão inexplicável que mal pensava em outra coisa, apenas em ter ela para sempre, parar o tempo. Em uma coreografia perfeita, fizeram amor à madrugada inteira, os orgasmos múltiplos tomaram conta do quarto, a rapariga o olhou com uma expressão de enlevo, mas de enlevo no qual não havia um único traço de agitação ou excitação, pois estar excitado é estar insatisfeito. O seu extase era aquele calmo extase da perfeição atingida, a paz, não da simples saciedade do nada, mas da vida equilibrada, ds energias em repouso e bem contrabalançadsa. E estagnados decidiram sair do cabaré pois já era muito tarde.

O rapaz apaixonado a convidou para dormir em sua casa, mas a pura jovem recusou. Na manhã seguinte, a jovem se deparou com sua face inchada, tirou seu diário cochilo à tarde, leu as repetitivas poesias à noite e dormiu.
Aconteceu o mesmo nos dias seguintes, faltou coragem, é, faltou coragem de viver.

Wednesday, November 29, 2006

O libertino

E como um jovem a escutar Moonlight Sonata repetidas vezes e não se enjoar, as notas parecem sair de meu peito, até sinto os compridos dedos do pianista tocando meu corpo delicadamente, roubando meu gozo e minhas forças em uma mistura de agonia e êxtase, a emoção me toma e não consigo parar de desejar cada vez mais a continuidade desse privilégio, minha respiração se torna difusa, meus lábios tremem e meu corpo estremece. Penso ter encontrado a tal citada paz, e no auge... o solo de Bethoven acaba junto com o meu prazer contido e minha admiração ao libido.

Thursday, November 09, 2006

então era isso...



nobre visitante..
fica aqui o começo do fim,
começo da leitura, e o fim deste blog.




foto: 27ª Bienal de Arte - Sao Paulo/Ibirapuera
obra: desculpe nao recordo o nome da artista.
mudanças tecnologicas e o ser humano, foi bem interessante
os visitantes podiam ficar meia hora utilizando todas
essas "roupas" de plastico, que seria de uma nova era
visando os interesses capitalistas, globalização e etc..
bem só estando lá para entender, adorei!

Friday, October 13, 2006

Ensaio I

e me pergunto... tenho mesmo real direito para falar de sentimentos? nesse breve ensaio, vou me atrever a falar desse assunto tão complexo e plausível!

Primeiramente, não existia o amor, apenas a reprodução humana, as mulheres eram entendidas como impuras entre outras babaquices discutidas na época. Você poderia ler Blake, ou simplesmente Shakespeare e ver como revolucionou toda uma geração de intelectuais contemporâneos, como acendeu essa tal clamada chama que é o amor. (Lembrando sempre que paixão é bem diferente de amor! - Já chegou a ler a obra do psicoterapeuta Nathaniel Branden?!) Existe diferenças entre esse amor romantico de livros, chamado assim de irracional, essa pequena neurose passageira, que para outros é uma meta de vida a ser seguida... seria algo inteligível? muitos procuram respostas!

Mais surreal seria, esse amor comparado ao desdém e ódio, afirmo com todas as letras "POSSO SENTIR AMBOS", não seria aquela coisa de "amo tanto que o fato de amar, me faz sentir ódio", não esse contexto não estaria em questão, seria mais algo como "eu amo e odeio por ser o que és, pelo que o mesmo representa". Caro leitor eu sei que não faço me compreender; Não tenho talentos Socráticos de fazer vos desenvolver temperamentos, inicia-los e domestica-los. Poderia até falar "Tu ne m´ennuies pas assez".. mas que grande convicção eu teria! Quanta tolice junta! Certo dia um amigo me incentivo a escrever como nos comercias de tv, com mensagens subliminares, passar as mensagens para que você leitor as interprete de modo que a sua razão veja o que bem entendas.. certamente, seria o correto ou mais bonito, que grande prestigio em falar na língua das esfinges e das cobras; enigmas são realmente fascinantes! E neles podemos achar e voltar ao assunto pré-requerido até então; como a troca de olhares dizem tanto, como um toque pode demonstrar mais que várias palavras juntas, e tão mas prazeroso esses sentimentos as escuras, no inicio do relacionamento, quando ambos se tornam receosos um do outro que qualquer gesto é motivo de felicidade.. e como depois se degrada na melancolia do cotidiano... ou no banal costume contemporâneo de dizer te amo como um mero bom dia... decadente eu diria, aplausos ao fantástico mundo novo!

Tuesday, October 10, 2006

O Preço da Experiencia



De William Blake

Qual eh o preco da experiencia? Os homens a compram com uma cançao? Adquirem sabedoria dancando nas ruas? Nao, ela comprada pelo preço De tudo que um homem possui, sua casa, sua esposa, seus filhos. A sabedoria vendida num mercado sombrio onde ninguem vem comprar,e no campo infecundo que o fazendeiro ara em vao por seu pao. facil triunfar sob o sol do verao e na colheita cantar na carroca cheia de grao.
facil falar de prudencia aos aflitos,falar das leis da prudencia ao andarilho sem teto, ouvir o grito faminto do corvo na estacao invernal quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro tao facil sorrir diante da ira da natureza. Ouvir o uivo do cao diante da porta no inverno, e o boi a mugir no matadouro; Ver um deus em cada brisa e uma bencao em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arrasa a casa do inimigo; Rejubilar-se diante do praga que cobre seu campo, e da doença que ceifa seus filhos, Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem diante da porta, e nossos filhos nos trazem frutas e flores. Entao o lamento e a dor estao quase esquecidos, bem como o escravo que gira omoinho, e o cativo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha quando os ossos rompidos deixam-no gemendo espera da morte feliz.
Eh facil rejubilar-se sob a tenda da prosperidade: Eu poderia cantar e me rejubilar deste modo: mas eu no sou assim.

Monday, October 09, 2006

esse samba no escuro



"Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

(...)

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente"

( Apesar de você - Chico Buarque )


- Nem Chico, e nem ninguém previa a decepção que a "administração" de Lula gerou. (aquele que participou de uma organização política conservadora e anti-comunista nos EUA). Hoje em dia não vê, e não ouve mais, "como vai se explicar?!" até hoje ninguém sabe. Saiu na VEJA, "A filósofa Maria Sylvia de Carvalho Franco diz que Lula age como um tirano, afirma que Alckmin foi escolhido para perder e denuncia o oportunismo de intelectuais de esquerda.. " http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/julho2006/clipping060711_veja.html

Para quem acompanhou o debate, ontem (08/10) na rede Bandeirantes, pode realmente se rachar de rir, e ver como o governo atual anda lamentável... Outro fato, sinto mesmo vergonha de mim, por isso, rir dessa situação tão degradante!

Penso que deveríamos ter uma certa censura, mesmo com todo o reboliço que a Ditadura trouxe, e quem sabe até o Imperialismo totalitário, mas lembrando que ao meu ver não deveria ter sido tão exagerado como era em outrora, acredito em uma censura, como forma de respeito! Tudo bem o Lula não vale nada (para mim que moro no Sul e não vejo tantos feitos como os habitantes da Bahia e esses lados), mas não devemos humilha-lo como a rede globo e seu famoso programa Casseta e Planeta o faz, como em tantos outros meio de comunicação, acho infame, cruel, e ordinário! Cada um de nós temos nossos próprios pontos de vista, não devemos julgar os outros... (a medida de que, o mesmo tenha real conhecimento de seus pensamentos não sejam mundanos e banais, que tenha vertentes, raízes firmes!!!)

Saturday, October 07, 2006

ACORDA!



E veja como tudo ficou, uma mera transição, seria esse o fato? Olha em quem tu se tornou, a maldita inocência que tu tinhas no passado se desmanchou junto com os valores perdidos de outrora, esse repúdio a política que tu insiste em declarar e esclarecer a todos em sua volta, não é apenas indignação, revolta em prol de uma nação de brasileiros, é sim apenas um simples egocentrismo, um meio de libertinagem o qual mesmo com seu pouco estudo, pensas que pode argumentar em defesa a essa tal democracia um tanto utópica. E cadê a ética que tu tanto preservas? " Viva você! " eu diria, mas seria de tão chulo, você entenderia onde quero chegar? Penso, digo e logo o faço, como agora, certas vezes ja me disseram "melhor é pensar antes de fazermos algo", mas e quando o pensamento não sai dos diários cotidianos das jovens? Fale se tens certeza, se não a tem PERGUNTE, ignorante é aquele que não esclarece suas dúvidas oras... e você caro leitor, se pergunta "aonde tu queres chegar minha amada escritora?", quero chegar ao ponto mais surrealista das sensações, quero esmagar as ideologias dogmáticas assim tão centradas em nossas vidas, quero abrir as pálpebras cansadas do hipnotizado... Mostrar a todos que quando sozinhos, nossas conquistas podem parecer distantes, e quem sabe, seriam mesmo... pois não vejo sentido, nem razão, a uma vida sem amor... seja amor carnal, corrompido, revolucionário, um amor tão romancista como nos livros... como queiras.. um simples amor!