Tuesday, December 04, 2007
a la alfredo
o assombro dos filmes de terror, da guerra, do lixo..
Logo não nos acostumamos a viver assim.
Vou me embora para Pasárgada, ou um planeta qualquer,
aquele onde farei as manobras aeronáuticas
mais rápidas como Fernão, voarei na velocidade do pensamento
e escutarei o silêncio ao meu redor como algo novo e vil.
Quando perguntarem de mim, podem responder sem medo:
"Está num mundo só seu, onde ninguém colocou os pés.. O céu lá é verde, existe corações derretidos e quadros surrealistas. Nossa imagem dentro de molduras é defasada e difusa como de quem morre e é esquecido, mas não será atrevimento algum que o farão entrar, amigos!"
Grotesco! - pensei.
Um viva ao fim! - gritei.
Monday, December 03, 2007
retratos do indefinido
corri sem pensar, sem olhar para trás e dizer um adeus..
fui podre e carniceiro nas escolhas, quem não é um dia?
te olhava com pena sem entender, viajei mil léguas e não encontrei o que procurava,
mas quando percebi, achei minha réplica.
Deitados na grama não entendiamos o que estava acontecendo naquele momento,
me vi curiosa a cerca de ti, querendo esquentar seu olhar frio e tirar toda tristeza..
Logo o espelho estava em minha frente, eu e minha réplica, ambos com olhares vazios,
ambos calados e misteriosos, escondendo verdades e sentimentos..
Rindo e sorrindo como loucos, como confortados em meio a algo parecido com a paixão.
Dissemos lindas palavras, e me pergunto até que ponto foi sincero?
Quem sabe a mentira te conforta por segundos, mas quem sabe eu seja uma vã sabichona
e tudo que eu escrevo não tenha nexo com o que se passa com minha réplica.
Em todo caso eu gosto do carinho que ela me passa, dos beijos, dos pedidos..
Eu queria mais, só que para tê-la são tantas as armadilhas que teria de enfrentar,
eu queria me acalmar, dormir por meses, conseguir ler como antes.
Como conseguem? Como conseguem viver sem melodramas!
Friday, November 02, 2007
IDIOFATURA
Mas cheiramos a petróleo sanguinolento,
Tento te tirar de seu cubo e isso é raro
A fumaça saí e o ritmo não é lento.
Olhe com simplicidade,
Perceba como anda a mocidade,
Como decai nossa cidade,
Do que importa a pouca idade?
Teu movimento fugiu da ideologia
Nossos jovens repetem a cena de “Tempos Modernos”
Nada parece ainda ter magia
E ele só se preocupa em adquirir novos ternos.
Que individualismo é esse amor?
O tempo passa e a gente cresce
Não carece de tanto rancor..
Saturday, October 13, 2007
Não Sei Ao Certo!
Em matéria de amor?
Em matéria de vida?
Tento me exprimir por que?
Digo, te escrevo com tanto carinho, torcendo para que entendas,
mas que motivo leva a preocupação?
Eu quero que me ousa, mas tantos homens antes de mim
fizeram seus truques de mágicas, mobilizaram pessoas
e nenhuma delas os escutou.. Assim eu volto,
por que me preocupo com que me ousa?
Melhor cair na vida, ir ao mercado como um dia qualquer,
comprar farinha, ervas para o chá e algumas bolachas...
Agora, comprar para que? Um furto aqui outro ali,
"Que diferença faz?!" - a jovem pergunta - "vamos todos morrer"
Os problemas são dádivas um Messias disse, mas eu respondo
que sou humilde e quero vida simples.
O vento sopra não como um assobio, nem sinfonia,
é como um lamurio seco nessa cidade suja.
A gente aprende quando nos lembramos de algo que já sabíamos.
Creio que ninguem aprendeu a preservar o ambiente, só ouviram falar.
Conhecimento é o que aplicamos.
Você aplica o que? Quais suas metas? E o que você quer?
Minha mão suja reflete toda dor que tenho.
Quanto sujo você é? E quando se acostumou?
A vida se baseia em perguntas, já tentou faze-las a sí própio?
A gente se surpreende com nossas respostas!
Mas e quando elas não vem? (ela ecoa em minha mente)
E quando a resposta não vem? (...)
Para aonde você vai? O que quer encontrar?
E quem você quer conhecer?
É o último trago, e para aonde eu vou?
Minha fé é a imaginação, fecho os olhos e imagino coisas boas
as procuro como um mendigo atrás de sua comida,
tento vê-las junto a mim, de mão dadas, ao meu lado..
mas meu Ser involuntariamente cria fogo e minha imagem morre..
minha imagem morre e eu percebo que tudo não passa de uma ilusão,
a casa, a cadeira, o bar, o quadro, a tinta, a nuvem e minha mente.
Monday, September 10, 2007
Momento Interplanetário

Aquele frio terrestre invadia meu quarto,
o único som dentro da limitada caixa onde me encontrava
era de minha caneta e de meu pesado pulso a se arrastar pelo papel.
Através da janela aberta em pequenos centímetros,
eu via a noite nebulosa que escondia em seu manto celeste
a purpurina que ousava brilhar.
Eu procurava um planeta vermelho e um espanador gigante.
De olhos fechados ansiava em sentir ondas quânticas passando
pelo meu corpo, não quisera eu a lambda e sim o início.
Nessa hora estrondosas ondas sonoras matam minha aura sensitiva.
A noite gradativamente mais fria e solitária,
inerte, desconhecida, difusa e surrealista..
Naquela inquietação não vi meu planeta, nem o pequeno príncipe.
As pálpebras se cansavam como velhas,
O dever chamava como um apito,
A cama me esperava como uma esposa,
O tempo corria como um perito,
A cidade dormia sob feitiço,
O guarda apitava como um mudo,
A lua sorria como criança,
O sol já se preparava para brilhar no ocidente... E eu cá, meio lá
pensando em meu planeta e no quão distante deveria ele estar...
Monday, August 13, 2007
Querido Adevindo
e no entanto já faz tempo que tu me escreves longas cartas.
As cartas tais, com letras cheias de olhares,
expressões cheias de adjetivos,
abraços com tantos verbos
e metáforas cheias de amor..
Era uma onomatopéia de confusões que nos fazia cair de rir
a beira da cama, do sofá e da mesa de jantar.
Em meio a muita ambigüidade gramatical nos deixamos levar,
chegamos ao clímax pelas anáforas de: eu te amo, eu te amo para sempre, eu te amo até não poder mais, eu te amarei até a morte me levar, até nos levar, até morrermos de tanto nos amar, até esquecer de vida por amar, até amar além da vida..
Não quero nenhuma aliteração, quero verdade em nossas vozes veladas, verões e violões, velocidade, vaidade, volúpia de volemia..
Quero bohemia, esquecer todo amor romantico,
quero deixar as hipérboles de lado!
Não meu caro amigo, não sofro de mal algum
não me encontro carente e nem mais descrente,
estou numa fase do neo-paradoxo velho,
de alguma antítese, onde todos amam, todos odeiam.
Sou fruto da nova geração.
Thursday, August 09, 2007
Sentimentos em Família
A passagem que agora lhes contarei, retrata minha enorme amargura como mulher, filha e neta. Para as pessoas que foram ao teatro ontem, e viram a peça Entardecer do grupo Dionisos de Joinville- SC, notaram bem os traços de três distintos idosos, ou nas palavras do personagem de Eduardo Campos: "velho não, agora deram para falar idoso.. mas eu sou velho mesmo, idoso é um velho arrumadinho". A peça foi encantadora, a platéia saiu do cineteatro acalentada com uma emoção inesperada que ocorre ao termino do espetáculo, e com doces lembranças de seus queridos vovós e vovôs. Lembranças essas que não as tenho. Um jeito de falar, uma maneira de andar e sentar, um sorriso, uma saudade, aquele amor de vô e neta. Em 1987, Vitor Lopes Portes morre de infarto, em 1994 Brás Corrêa Neto também morre, a causa dessa segunda não me recordo.. Quem cá escreve, nasce num outono de 1991, se vi o senhor Brás, os prematuros 3 primeiros anos de vida, não deixaram em minha mente essa recordação. Em 200o e poucos Marlene Bornemann morre, essa já cansada de uma vida de dependência que a atormentou por mais de 15 anos, sua vida era uma faca de dois gumes, se feria tão facilmente onde quer que ia e com o que fazia, a vontade de netos já gasta, com a vontade de viver já gasta, não reparava mais nos jantares em familia, nas palavras de carinho que a criançada dava, ela apenas deixava estar, como uma figurante apenas, com seus cigarros e suas cartas baralho. Quando eu era menor, adorava os pães e doces que minha vovó Marlene fazia, mas ela fazia para todos os primos e tios, nunca destinava um acalento particular, eu posso dizer que sinto falta até do que nunca ganhei, não era a comida (por mais gostosa que tenha sido) que me faltava, era apenas uma pequena adulação rotulada que "todo mundo diz" que os avós têm com para seus netos. Como todos, os avós são quatro, os dois casais, pais de nossos pais. A ultima personagem se chama Lili Corrêa Portes, que hoje em dia reside em Curitiba-Paraná com seus 84 anos, a mais ativa velhinha que conheço, não se cansa de viajar para sempre visitar seus 8 filhos, trocentos netos, e tantos mais bisnetos... Como podem observar a disputa pelo colo de minha vó é grande, quem hoje rouba a cena nos encontros com a dona Lili é a bela Maria Eduarda, nossa Duda, minha sobrinha de 1 ano e meio; sem contar que a distância e a má localização da casa de minha vó dificulta as visitas. Nisso me vi carente desses afetos, e voltando a peça, pelos fatos a cima, as recordações que muitos gozaram de observar, onde em muitas vezes eram parecidas com de seus avôs, de nada sei.. de nada eu poderia saber.. Mas irei me conservar, para assim meus netos terem essas lembranças: " A minha vovó Vane era toda batuta, fazia doces gostosos, ouvia e dançava rock`n`roll mesmo com seus 70 anos, Papai jurava que quando ele era novo, assim com seus 18 anos, muito amigo dele falava que a vovó era gostosa e queria traçar... mas Papai logo se enfezava, e os amigos mudavam de assunto.. "
e assim vai... hahaha
Wednesday, July 18, 2007
cinza-Tarde-cinza
eu pensava no verão mas era inverno
A ameaça da chuva calava as bocas
e o vento queimava como no inferno
Reguei meu pomar com toda devoção
aquele de laranjas e limões
mas o frio veio com uma inquietação
matando meus frutos sem explicações
Não colhi mais cor nenhuma, Não sorri de graça alguma!
"Os dias úteis cada vez mais inúteis"
esse é o estranho olhar que venho dando a vida,
à toda forma desconfigurada dos fúteis
no matrimônio da inteligência fingida
Meu amigo Freud, tanto me disse
para deixar de lado essa dor que me segue,
que para o caminho da arte eu fugisse
e não há o que eu negue.
O que me dói transparece..
[detesto o cinza!]
Isso é coisa que acontece..
[o que tem o cinza?]
Logo a gente esquece!
Tuesday, July 03, 2007
INSANIDADE
Tão impertinente, não abandona minha mente.
É tão ruim se encantar, logo esqueço de mim e do que já fui.
Esqueço da Mi e do pobre Rui.
Daqueles que ao meu lado estavam na noite do porre, da morte e do trote.
Estou encantada por ele, e não há o que fazer,
quantos livros terei de ler para distrair o meu ser?
E qual o motivo de tanta rima?
Tire esse VHS e rebubina, aperta a buzina, chama sua prima,
toma lá da cá, tico tico no fubá.
NÃO!
NÃO!
Ele não saí da minha mente, ai gente, não adianta fazer nada,
quero entrar numa privada, aperta logo a descarga.
Papai sempre falou que eu era a pequena dele:
"Ela é minha menina, o meu orgulho!"
Não quero decepcionar ele, e nem o outro...
A babe, rezar eu não rezo, mas queria tanto que tu saísse de mim,
essa paranóia já não é o playground dos meus neurônios,
virou um rocambole dentro de meu coração.
Se é encanto, magia têm,
se é magia, truque deve ser,
se truque é, saber desfazer deve ser fácil! Fácil como ponto cruz!
Encanto passa não passa? Mas demora quanto tempo seu doutor?
Para sempre são tantas horas!!!! Cansei do relógio,
mesmo nua eu largo ele... ele... o relógio!
Ora, cansei de me encantar, queria encantar os outros também!
Odeio quando os bichinhos teimam em andar pelas minhas pernas
e quando passo meu pesado dedo por cima deles..
soltam aquela gosma escura que suja toda minha calça.
Hoje eu estou de branco, branca calça, roxo vestido, minha pulseira
é colorida, como a bandeira gay. Li uma vez que as cores influenciam
muito no bem estar das pessoas, eu devo estar bem hoje...
Mas e ELE como deve estar? Aquele meu amor, que nem meu é, aquele charlatão que faz seus truques. Alguém deu cores para todas as letras do alfabeto, outro para cada dia da semana... Segunda é cinza, terça é.. terça acho que era verde, não lembro, sei que domingo é rosa ou pode ser laranja, varia, o mundo é relativo já dizia algum pensador.
Água-viva - LISPECTOR - Água-viva
o vento, os carros, o sol que não esquenta, cadê ele para me esquentar? Ele, o meu amor, aquele que nem meu é. Deve estar sem jaqueta ou na sua fria casa, embaixo do gostoso cobertor.
Eu quero comer uma coxinha!
Quero ser saudável, nos EUA os frangos têm muito hormônio,
são mutantes! Meu amigo entendeu molho. Frango com muito molho!
Que fome! Eu estou louca! Meu benzinho falou que vou acabar como
Dom Quixote, e eu só ri e respondi: "Que quixotesco! "
Está certo, não vou mais matar bichinhos inocentes, além de tirar uma vidinha, eu me sujo, e sujo pois quero. O problema do homem é a falta de ponderação e limites? Quem foi o Einstein que disse isso? Não penso o mesmo não!
Como o grande Fernandão Sabino põem na boca de Eduardo:
"Não há problemas, apenas soluções!" (ou algo assim)
Ele e Olavo Bilac não saem de minha cabeça.
"Que quixotesco!" eu respondi.
Estou louca! Louca! E eu te amo e odeio tanto te amar!
Enigmas, esfinges, ele, o encantador.. me lembrou aquele cara simpático da Discovery Channel, brincava com os animais, principalmente jacarés, ele morreu esses anos, foi triste, eu gostava tanto dele.
CHEGA!
CHEGA!
Eu penso em tantas coisas, e ele insiste em atrapalhar, acho que chegou, até Deus têm limites! Por falar em Deus, o sol se fez mais quente para mim, está tão bom, meu pequeno bloco de anotações brilha, ele é tão pequenininho, e eu sou uma louca..
Lembrei dos Namorados, de Manuel Bandeira:
"(...) e o rapaz concluiu:
-Antônia, você é engraçada! Você parece louca. "
Tuesday, June 26, 2007
Gira-Sol Dos Oceanos
–Maria!! –acordei com meu próprio grito recrudescido, acalentado por ter fugido de meu sonho. Em minha frente estava uma linda e assustada jovem, de longos cabelos dourados e cacheados, usava um óculos tão grande que cobria quase toda sua face, o escondendo de mim .
–Calma, moço! –disse a menina, me fitando e dando pequenos passos para trás, receando qualquer movimento – Tu és da onde?
–Bem antes de tudo vem as apresentações, não é mesmo? Me chamo Felipe e você? –minhas palavras saiam animadamente (mesmo cansado e com remelas nos olhos), teria achado uma criaturinha tão doce para me orientar nessas ruas, eu que ansiava pela volta ao lar, a mulher e ao emprego no laboratório mais do que tudo.
–Me chamo Marina. –na candura de sua meninice, em suas bochechas estouravam purpurina vermelha, de vergonha, as quais faziam a pequena olhar para o sujo chão do estábulo se distraindo– O que fazes aqui?
–Estou perdido de mim e do mundo. Com fome, e nessa cidade que desconheço. -mal reparava eu, que a menina estava na flor da idade, deveria estar na faixa de seus 16 17 anos, quando o corpo começa a evoluir, criar formas. Marina vestia uma curta camisola verde, em sua frente tinha a estampa de um anjo, num dizer: "Florzinha de Jesus". Que doce! Eu pensei.
-Sabe moço, não sei se papai se importa que fique aqui, mas Gertrudes, a nossa empregada, comentou horrorizada! "Onde já se viu um andarilho dormir em nossas instalações", pensou que roubaria nosso leite, mas logo vi, que o senhor não teve tempo para nada. -em suas pequenas mãos estava um balde de alumínio, deduzi ser o recipiente do leite, do leite ainda quente, aquele amargo e viscoso recém tirado da vaca, eu que tanto morei na cidade, não aparentava para mim tentação alguma, essas coisas de interior, de simplicidade.
-Cheguei a noite, nem vi o que tinha aqui, puxei um palha e me deitei. Qual o nome de sua cidade?
-Ah moço, estamos no interior de São Pedro do Oeste, mas desculpa a falta de gentileza, tenho de correr que hoje a cidade está em festa! Batuques e... bem, instrumentos de tudo quanto é tipo! Tenho de correr!
E lá se foi a menina, em plena meninice correndo com suas sandálias, deixando a porta do estábulo bater forte com o vento que sua velocidade jazia, com o vento que estava escasso naquela manhã. Queria eu várias meninas em plenas meninices correndo a minha volta para abanar, para mandar fora todo o maldito calor que fazia naquela cidade. A menina se foi, e me deixou como dono dos animais, acho que até esqueceu de ordenhar a vaca, deixou-se por jogar o balde de lado. Resolvi então ajudar, se eu dormi lá, algo em troca eu haveria de dar, peguei o balde, puxei um banco e...
-EU SABIA!! Antônio corre aqui, Antônio corre aqui que esse hippie, esse mendigo, esse sem teto, quer roubar nosso leite!!! -ao gritos entrou essa louca dessa mulata, era gorda, gordinha, dessas que arrastam as chinelas ao andar, que gozam da culinária caseira, dos quitutes e dos temperos, essas que se não fossem mulatas, diríamos parente de algum italiano, aos berros, aos prantos! - EU SABIAAAAAA!!! ANTÔNIO!
-Minha senhora, não estou roubando nada, não veja por mal, estava apenas ajudando a pequena Marina, para a festa de hoje a noite! -sorte minha era a boa lábia, os cursos de oratória vieram em bons tempos, falei melhor que qualquer candidato a presidência, a ministro. No que eu falei "pequena Marina", já vinha entrando o velho Antônio, assim presumo eu; o pai.
-MARINA! Nossa princesa, tire os olhos grandes dela viu moço?! Antônio, peguei ele roubando o leite! Eu sabia! Eu falei! Eu sabia!
-Gertrudes, calma! Deixa o moço se explicar!
-Que intimidade é essa com Marina minha filha?! – eu sabia, pensamento de pai é assim mesmo, que vaca o que, que leite o que, vamos salvar a honra da filha! E está certo o homem!
-Ora, Antônio, não é mesmo?! Vim de longe, de outras águas, cheguei na cidade ontem a noite, sem ter aonde ir, entre a penumbra da noite não vi lugar mais confortante que esse! Deite-me aqui, e acordei com a menina perguntando minha origem, falou sobre uma festa, e saiu correndo, pensei em ajuda-la com o leite, mesmo não sabendo ordenhar, mas tentando ajudar...
E fomos para dentro da casa, de arquitetura tal que fiquei impressionado, tão 1500, tão rica no meio da rua de chão, da rua de poeira amarelada. Ela lá, simples e aconchegante, mobilia clássica e inteira, pães caseiros e clima familiar, gostoso como tal, como era!
Friday, June 22, 2007
® Gira-Sol Dos Oceanos II - o sonho
O Sonho
O céu matinha os horizontes de cores fortes, de arder e vislumbrar os olhos dos artistas. Nunca vi a Santa Maria mãe de Jesus, ou grandes reis, com a boca aberta em suas imagens e pinturas. Dentro da arte realista, apenas loucos, poetas, cientistas e pintores eram retratados com tais expressões, como método de diferenciação e preconceito. Nele Maria rodopiava ao som dos umbandas, em meio a orixás, cachaça, fumaças e incensos. Maria cantava, não fechava a boca para nada, nem recuperar o fôlego. Suas pernas eram belas e usava o tradicional manto azul. Bela Maria. Após tanta folia, vi lágrimas em seus olhos, de tempo em tempo a transparente gota se tornava mais densa, de cor mais forte e escura.
Em forma de espirais as nuvens entorpeciam quem as olhassem, as plantas tão coloridas e vivas refletiam no ambiente o cheiro da paz. Mas Maria chorava, não entendi se era por mim, por ela, pelo que acontecia, por porre, mas chorava. Estendi a mão, ela a segurou forte, tão forte como uma grávida no momento que inicia o parto. Já não sabia o que falar para tentar ajudar, e nessa hora ela já não abriu mais a boca para me contar, talvez porque não sabia, mas essa desculpa de não saber, de esquecer, tem sido tão repetitiva que cansou os ouvidos. Só que se nessa hora ela realmente não sabia? Aquele vazio dos homens de pouco trabalho, de mentes espaçosas poderia ter a contagiado.
® Gira-Sol Dos Oceanos II
CAPITULO II
Perdi-me em meio às divagações mentais, e sem perceber, logo entre devaneios eu já estava em outra realidade psíquica, ou não tão psíquica, sendo que para mim todas as realidades o são. Essa menos utópica sem anjos e sem espadas, apenas, homens e armas. Encontrava-me numa praia a qual nunca visitara antes, era limpa, tinha suas águas cristalinas e não havia muito contato com a civilização pelo jeito, acho que algum ministério tomou providencias sobre a preservação do local. Saí atrás de algum barco, de alguém para me orientar sobre aquela localização. Com minhas pernas bambas, em movimentos involuntários elas me guiavam, rápidas e ágeis como os golpes de antigos samurais. Vi-me com medo, como uma criança ao dar os primeiros passos. Decepcionado em mente, meio inconsciente, meio descrente subestimei minhas pernas e elas triunfaram, funcionaram magnificamente; mal pude notar que já me encontrava a 5 pés do porto, onde um grupo de pescadores se encontrava.
-Desculpe-me incomodar, mas você poderia me informar onde exatamente eu estou? Estava de passagem por essas estradas e acabei por me perder aqui. (a desculpa sobre uma tal viajem veio em boa hora, só que a duvida se realmente haveria alguma estrada perto daquela beira-mar era perturbadora).
-O moço, ocê me descurpa má é que moro noutro lado do mar, vim apenas pescar uns peixes e logo me vou embora.
(O homem tinha a aparência de uns quarenta anos, mas seus olhos e seu sorriso desmentiam, aquele velho corpo, era o que o sol tinha lhe proporcionado).
-Então, poderia me levar contigo para o outro lado do rio? Se não for pedir de mais?
-Mas claro uai.
Sobre o crepúsculo, o abandonar do sol, a noite me pareceu a mais escuras de todas as outras. A fonte de energia daquela pequena cidade a qual o simples pescador havia me levado pifou, não sabia exatamente o motivo, mas vi de longe toda escuridão e paz no vilarejo. Sozinho, caminhei atrás de um lugar para dormir, perdido naquelas estranhas ruas, sem saber que destino tomar. Deparei-me com um grupo de homens, todos uniformizados em ternos negros, correndo pelas esquinas, marchando em ritmos acelerados tão quanto meu coração se encontrava.
As janelas das casas pelas quais passei, permaneciam fechadas, num ritual homogêneo e predominante, deixando escapar pelas frestas, das carentes portas, apenas, fachos de luz proporcionados por velas. Além dos cães e gatos que passeavam e rosnavam nas calçadas, não se podia ouvir som algum, nenhuma música, nem sequer uma conversa abafada ou jovem enamorados. Senti calafrios, me igualava a um estrangeiro, um forasteiro não de outro país, de outra cultura, mas sim de outro mundo. Apalpei meus bolsos na interrupta esperança atrás de meus cigarros, mas retardando meu câncer, não os achei, eles já não estavam mais lá. Vi certa dificuldade em caminhar, sem saber para aonde iria. É realmente incrível o poder de nossos olhos, após minutos de mais caminhada senti minha pupila triplicar, me acostumei com a falta de iluminação. Deixando em ênfase o contraste do antes e depois, do inédito, do nevoeiro, da cerração, me veio a clareza.
Brr, Brr. A barriga, alertava á fome, o cansaço e a friagem. Contemplei de longe um estábulo, diferente do livro de São Mateus, dormi lá entre os animais, como único esconderijo, sem pensar duas vezes, vendo a primordial difusa tarefa de deitar. Esses últimos passos foram os mais difíceis e mais pesados, como se pesos de 20kilos a mais se concentrassem em cada uma de minhas fracas pernas, enfim cheguei. Ajeitei a palha, fiz com parte dela um travesseiro, um cobertor e uma cama, um ninho, meu conforto. Que grande maravilha foi! Que grande maravilha é repousar, não sentir peso algum, a inércia da física passando das variáveis para a nula. Dormindo eu esquecia minha fome e meu medo.
® Gira-Sol Dos Oceanos I
Vi meu fim, inconsciente eu lutava contra os anjos. Morri dormindo, desconhecendo os porquês das coisas, e sem saber as respostas para as três perguntas sobre a existência do homem. O salão de batalha era pálido e sem adereço algum, a única lâmpada velha e cansada piscava em meio a minha exausta tentativa de vitória. Combatia pela vida mesmo sem compreender o sentido dessa necessidade que tanto me torturava, que me sugava sem motivos. Gabriel tinha a agilidade dos competidores de esgrima, quanto a mim? Não havia nem terminado as aulas de capoeira que me era oferecida pela mocidade de minha terra. Meu mórbido e dopado corpo mal desviava os golpes, me entregando as inchações e a cólera como quem nunca viveu em Esparta.
Não pedi clemência e vieram consecutivos ataques. As lembranças da falsa memória vieram à tona, igualando-me a um pequeno tradutor de romances internacionais, distorcendo a real verdade, dir-se-ia que sou um leigo para lhes informar com exatidão as maravilhas e tristezas que passaram pela minha mente, relembrando de toda minha gente e das prosas que ainda não terminei. Fadigados, os anjos em plena divindade se colocaram a postos para me ouvir. Supliquei, lhes contei minha história e meus anseios, mas não como um poeta bem o deveria fazer, contei como um desesperado, um nato pobre coitado que de pouco estudo já esqueceu de todas as formosuras da língua culta, agonizando por dias a mais, pela vida que havia desperdiçado e que haveria por direito de recomeçar.
Tão poderosa era aquela força, clara e equilibrada, tinham o dom da reencarnação, da vicissitude. Gananciosos brincavam com meu medo e minha pusilanimidade. Amarraram cordas em meus pulsos e pés. Estava armado o grande espetáculo de fantoches! Eu rezava para Deus, mas das prezes não vieram respostas. Talvez pelo fato de que nunca tive muita fé, não ter o habito de ir à igreja, e em contra-partida destes, era a vingança sagrada. Estava correto que não devemos rezar só na hora de sofrimento, mas se é só nessas horas que vejo razão e indigência, o que fazer? A fé é de tão grandiosa magnitude, tentarei não colocar toda ela num único ser que desconheço, colocarei em mim! Subir-se-ia ás alturas em saber que o pensamento positivo pode nos ajudar tanto, principalmente se ti mesmo o experimentas.
Como dentro dum filme de Domingos de Oliveira, os anjos (que ao meu ver pareciam grandes crianças em máxima malicia e perversidade) pegaram uma moeda, e na desesperada brincadeira de cara ou coroa, eles tinham meu destino em suas mãos, donos do mundo, donos da vida, subordinados de Deus.
Dentro do salão, pela falta de janelas, pela falta do ar (grande falta essa última, que tanto me sufocava nas horas de luta) a moeda girava em sincronia perfeita, eficiente e ligeira. Meu medo agora era de que os anjos se inspirassem no poderoso santo hindu Satya Sai Baba que enganava o pobre Krishna ao perguntar as cores e quando ouvia a resposta correta, logo fazia a cor do objeto mudar censurando seu aprendiz pelo erro. E se caísse o lado da vida, mas a transformassem no lado da morte? Não, eu deveria ter fé de que eles não fariam isso nem comigo, nem agora!
Sem mais anedotas, tinha chegado a hora, faltavam quatro voltas para a moeda cair nas mãos de Gabriel. O nervosismo fazia com que em meu rosto, gotas de suor deslizassem vagarosamente me trazendo arrepios. Nas mãos, a imprevisível oscilação, nos neurônios os repetitivos vilipêndios.
Ela caiu, corri em direção a ela, para ver o resultado. Com os olhos cheios de lágrimas, com a boca fogosa para gritar pela vida, a moeda caiu, caiu e foi com o lado da minha salvação! Não contive o sorriso irônico, transparecendo nele uma pequena frase apenas; “ganhei seus otários!”. Havia ganhado uma nova chance, dessa a qual eu zelaria muito mais. Mas eu zelaria no que? Qual o motivo de que raios eu tanto quis a vida? De que mudaria minha morte? De que mudaria minha morte, se na vida eu era um aprisionado do tempo, tempo esse que é a vertente de todo o mal. Em tudo no mundo, (graças ao tempo) surgem oportunidades para nos guiarem através do mal. Vejo que o bem ainda não foi banalizado, que vem sendo coisa tão rara quanto o celibato e a humildade. Não quero viver como um sarcástico, um glutão, que para conseguir se dar bem precisa passar por cima de outros transeuntes. Preferia agora nem viver!
Wednesday, June 20, 2007
Eu Sei
você, precisa saber
lembrar de seus deveres, dos seus prazeres
você, precisa lembrar
saber lidar com sua liberdade, com a sua vaidade, com a sua maldade
você precisa, você precisa
eu sei, leia na minha camisa, ou na minha TESTA!
Tuesday, June 19, 2007
Francamente!
Wednesday, June 06, 2007
p&b
Negra revolução, Negro descontentamento
A pólvora sem valia na manhã do novo dia.
Negra esperança, Negro céu
As estrelas a guiar esse mar a nos embalar.
Branca arma, Branco peito
Correntes nos pés e mãos separando amantes e irmãos.
Negra mercadoria, Branca ilusão
Fronteiras de diferenças, mesmos temores entre crenças.
Branca gratidão, Branco consentimento
O poder da pequena criança, controlando países de liderança.
Branca sabedoria, Branco sem destino
Assinaturas em vão, idealizadores sem razão.
Negra coragem, Negro respeito
Gente vendendo gente, maldição contingente.
Negra traição, Branco aproveitamento
Falta escrúpulos, falta paz.
Negra e Branca igualdade,
utopia por um mundo sem maldade.
Friday, June 01, 2007
Mau Entendimento
-Filha avisou seu pai que não precisava passar na padaria hoje?!
-Ai meu Deus, não avisei!
-Oxi menina, é que vem um temporal danado lá fora!!!
Um corpo resfriado, quase mórbido pela cama e pães sobre a mesa.
Monday, May 21, 2007
Notas e Acordes

Meus dedos calejados latejavam!
A noite longa se fez dia
nossos olhares não se encontravam
e meu violão deixado de lado, se entristecia.
Atenuadas, minhas cordas tremiam.
Mudavam de comprimento
a todo o momento...
E da minha canção elas riam
Prometi-te uma bela entonação
Mas o caos me tomou,
o caos me afugentou.
minha realidade virou uma alucinação.
Sunday, May 20, 2007
Sem Contato

O dia foi longo como todos esses domingos.
Meus órgãos se contorciam cada vez que o telefone tocava
pensavam que eras tu... mas que sutil engano...
Ao descobrir quem era o estranho que se encontrava na outra linha,
em aguçados impulsos, após minutos, eles se acalmavam.
Todos esses movimentos involuntários me deixaram cansada,
Cansada e enjoada. Pergunto-me agora:
“Cadê tu para cuidar de mim e me abraçar?”
Não vejo mais toalhas quentes, nem chás.
Não vejo também seu sorriso, nem meu sofrimento.
Aquele aperto no peito às vezes volta.
Mas os 8 palmos e meio já morreu,
com toda sua alegria, trancada em longínquos momentos.
Tu me pediste para ser sincera, me pediste para ser forte.
Mas nas palavras de Manuel Bandeira encerro este trote
“Eu faço versos como quem chora
de desalento... de desencanto.”
Manhã De Outono

A manhã se fez calada,
a trilha sonora cotidiana tomava conta da sala de aula
mas me encontrei em uma silenciosa e cinza exclusão
sentia saudades das cores, só que mesmo presente
elas se faziam tímidas e se escondiam.
A manhã se fez fria,
as inúmeras blusas pesavam no corpo dos estudantes
e abafavam assim, qualquer espontaneidade
e a tentativa de concentração gratuita, nada de amantes.
Em meio a toda bruxaria da Mesopotâmia
nossos corações batiam agressivamente
e nossas mãos tremiam pela paz compulsivamente.
O relógio demorava a completar seus 360°
havia surtos de ignorância, surtos por uma revolução
another brick in the wall não gerou mais tanta convicção
A manhã se fez triste,
triste como os casais separados, e como minha mão longe da sua
ouvindo seu nome saindo várias vezes das bocas colegiais
me vi calada, me vi fria e me vi triste... como aquela manhã